ONS: Reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste devem atingir maior nível desde 2020

Segundo o Operador, as usinas hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste devem atingir 51,4% da capacidade até julho deste ano

Chuvas elevaram volume dos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste do país
Chuvas elevaram volume dos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste do país Foto: Divulgação/Sabesp

Iuri CorsiniRayane Rochada CNN

No Rio de Janeiro

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As usinas hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste do país devem ultrapassar a metade do nível de armazenamento até julho deste ano. No cenário mais otimista, a entidade espera que este subsistema chegue a 51,4%, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Neste momento, o subsistema opera com 42,85% da capacidade disponível. Caso atinja este percentual, será a primeira vez que os níveis destes reservatórios alcançarão tal patamar desde junho de 2020, de acordo com o Operador.

Os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste do país são responsáveis por 70% da capacidade de geração de energia por meio de fonte hídrica no Brasil. Com as intensas chuvas registradas neste início de ano, as previsões do ONS estão sendo superadas.

Atualmente, o volume do reservatório equivalente do Sistema Interligado Nacional (SIN), que engloba todos os subsistemas, apresentou 49,4%, em 31 de janeiro deste ano, e ficou 5,1% acima do previsto na primeira reunião ordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), realizada em 2022.

Se comparado com o mês passado, também houve melhora nas afluências, principalmente nas regiões Sudeste, Nordeste e Norte do país.

A previsão do operador para o final de fevereiro em relação ao armazenamento do SIN está entre 55% e 60%, a depender do cenário hidrológico nos próximos dias. Todos esses dados foram apresentados em reunião do CMSE, e divulgados na segunda-feira (7).

O Operador justifica esse aumento no volume hídrico já observado em decorrência das “restrições hidráulicas associadas ao Plano de Contingência para recuperação dos reservatórios” e às “medidas preventivas que começaram há mais de um ano”, segundo informou o órgão em material divulgado no portal da entidade.

Porém, o ONS disse que o cenário ainda requer cautela e atenção na operação. Ainda segundo o Operador, na reunião foi sugerido ao colegiado que haja uma redução do acionamento das térmicas despachadas pelo operador.

O objetivo é que esta utilização passe dos 15.000 MW médios para 10.000 MW médios ao longo do mês de fevereiro, com Custo Variável Unitário (CVU) de até R$ 600/MWh.

Até janeiro, com o objetivo de minimizar custos com a operação termelétricas mais caras, o limite da geração desta fonte de energia era de até 15.000 MW médios, limitados a termelétricas com CVU de até R$ 1.000/MWh, ou R$ 1.500/MWh em casos excepcionais.

Níveis ideais

A média considerada ideal para o nível dos reservatórios é de pelo menos 60% da capacidade preenchida, mas especialistas dizem que, apesar de ser difícil estabelecer uma meta fechada, nos reservatórios do Sudeste, por exemplo, o ideal seria algo em torno dos 80%. Mesmo com o aumento previsto, o volume deverá seguir abaixo nos principais reservatórios do país.

Especialistas ouvidos pela CNN alertam que, apesar da previsão de melhorias em relação ao cenário observado em 2021, as hidrelétricas no início deste ano ainda estarão fragilizadas, com reservatórios abaixo do nível ideal. Além disso, as termelétricas continuarão sendo utilizadas e, assim, haverá pouco espaço para reduções na conta de energia.

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