Resultados de gigantes de tecnologia dos EUA não aliviam temor de investidores

Cerca de 81% das companhias publicaram números acima das estimativas, porém decepções de alto nível preocupam o mercado

Placa de rua sinaliza Wall Street do lado de fora da Bolsa de Nova York
Placa de rua sinaliza Wall Street do lado de fora da Bolsa de Nova York 03/01/2019REUTERS/Shannon Stapleton

David RandallLewis Krauskopfda Reuters

Ouvir notícia

Uma safra inconsistente de resultados de algumas das maiores empresas de Wall Street pode atrapalhar as perspectivas para os investidores que esperam comprar ações desvalorizadas diante de uma violenta liquidação no mercado de ações.

Em uma semana – ainda em andamento – carregada de balanços corporativos, a Alphabet, controladora do Google, registrou receita no primeiro trimestre abaixo das expectativas na terça-feira (26), enquanto a Microsoft projetou crescimento de receita de dois dígitos para o próximo ano fiscal.

Embora a maior parte da temporada de resultados esteja por vir, alguns investidores temem que apenas resultados estelares pelas gigantes de Wall Street contenham uma queda nos mercados acionários. O S&P 500 acumulava baixa de 12,4% até terça-feira.

Também na terça-feira, o Nasdaq atingiu o nível de fechamento mais baixo desde dezembro de 2020, perdendo quase 4% na sessão e ficando 22% abaixo da máxima histórica atingida há menos de seis meses, em 19 de novembro.

Nesta quarta-feira (27), o S&P 500 e o Nasdaq subiam 0,5% cada, por volta de 11h40 (horário de Brasília).

“Há muita ansiedade antes dos resultados porque se eles não se sustentarem, então não há mais nada para segurar o mercado”, disse Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital em Nova York.

Apesar dos resultados mistos de grandes nomes “de crescimento”, categoria que engloba as empresas de tecnologia, os balanços de empresas que compõe o S&P 500 superaram as projeções dos analistas. No geral, cerca de 81% das companhias publicaram números acima das estimativas.

A expectativa agora é de alta de 8,2% nos lucros do primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, acima dos 6,4% estimados no início de abril, segundo dados da Refinitiv de terça-feira pela manhã.

No entanto, houve algumas decepções de alto nível, incluindo a Netflix, cujas ações desabaram após os resultados.

“As expectativas para (empresas de) crescimento são muito, muito altas, e se você não atende às expectativas verá a Netflix ou o Google cair”, disse Paul Nolte, gerente de portfólio da Kingsview Investment Management em Chicago. “Não é algo específico da indústria, é mais específico de (cada) empresa”.

As ações da Microsoft subiam cerca de 5,3% nesta quarta-feira, enquanto as da Alphabet caíam cerca de 3,8%.

Os mercados podem receber novos choques esta semana à medida que outros resultados são divulgados, incluindo da Apple e Amazon.com. A Meta Platforms, proprietária do Facebook, deve divulgar seus números após o fechamento nesta quarta-feira.

Com apenas alguns dias restantes no mês, o S&P 500 caiu 7,8% em abril até agora, o que seria a maior queda percentual mensal desde março de 2020.

Mesmo assim, pode haver algum motivo para otimismo nos últimos dias de abril. De acordo com o Bespoke Investment Group, em 39 meses desde 1980 em que o S&P 500 caiu pelo menos 5% com três pregões restantes para o fim do mês, o índice teve um ganho médio de 1,51% nas sessões restantes.

“Geralmente, os três últimos dias de negociação desses meses ruins oferecem algum alívio para os investidores”, disse a Bespoke em nota.

Mais Recentes da CNN