Rio quer ser a capital brasileira de investimentos em ativos de sustentabilidade

Bolsa de valores, fórum econômico e centro de educação financeira fazem parte do projeto

Plano ainda depende de regulação por parte do Ministério da Economia
Plano ainda depende de regulação por parte do Ministério da Economia Getty Images

Stéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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Projetos paralelos da prefeitura e do governo do estado querem desenvolver o potencial do Rio de Janeiro para a economia verde, com o objetivo de transformar a cidade na capital brasileira de investimentos de ativos sustentáveis. O pacote inclui uma bolsa de valores verdes, a criação de um fórum climático e a implementação de um centro de educação financeira.

Meta final do projeto, a nova bolsa de valores não pretende substituir a B3, de São Paulo. O objetivo é realizar nela negociações de créditos de carbono e ativos de energia e inovação.

No entanto, a iniciativa depende ainda da regulamentação federal do mercado de créditos de carbono, o que ainda não aconteceu no país e depende de ações do Ministério da Economia.

Até que isto aconteça, há um conjunto de iniciativas que o grupo de trabalho montado pela prefeitura pretende tomar, além do fórum econômico e do centro de educação financeira, como explica Chicão Bulhões, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação.

“Esses são os três pilares do nosso hub de finanças sustentáveis. O Rio sempre teve uma tradição de capital financeira do país, mas foi perdendo isto à medida que o ecossistema financeiro foi se desenvolvendo em São Paulo. Temos conversado com o Banco Central, com o BNDES e com parceiros, queremos atrair mais empresas para cá. Mas precisamos que esse mercado seja regulado pelo governo federal”, afirma.

O município pretende implementar o ISS Verde, com 20% de recursos obtidos na bolsa verde do Rio. O objetivo é que esse valor seja usado para custear ações mitigadoras com investimento em economia verde.

“Isto contribuiria para o cumprimento das metas de redução de emissão de carbono, assinadas pela prefeitura junto a organismos internacionais”, conclui Bulhões.

A regulação federal pode potencializar os ganhos com a venda de créditos de carbono, não só em quantidade, como em proporção. O assunto é um desafio internacional e deve ser discutido na Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP-26, que ocorre em novembro, na Escócia.

A fazenda estadual entende que a regulação pode estabelecer um índice dez vezes maior que o patamar de negociação que ocorre atualmente, no mercado voluntário.

Para se consolidar como mercado para negociação destes ativos, as autoridades do estado e do município confiam na imagem consolidada pela cidade como polo de discussões ambientais, construída ao sediar as conferências Rio-92 e, em 2012, a Rio+20, além de abrigar a principal floresta urbana do mundo. Mas errou quem pensou na Floresta da Tijuca: é o Parque Estadual da Pedra Branca, na Zona Oeste.

No âmbito do município, o objetivo é formatar a proposta até dezembro, para que as primeiras ações sejam implementadas já em 2022.

O Palácio Guanabara também está entusiasmado com a possibilidade de transformar o estado que tem as maiores reservas brasileiras provadas de petróleo e gás natural, combustíveis fósseis poluentes. A Secretaria Estadual de Fazenda pretende oferecer também seus ativos ambientais, como florestas e parques, para negociação voluntária de créditos de carbono.

Secretário fluminense de Fazenda, Nelson Rocha explica como a proposta deve funcionar no estado. “Peguemos o exemplo de uma siderúrgica, que é uma grande poluidora e, pelos protocolos, precisa reduzir a emissão de gás carbônico. Se ela não consegue atingir a meta de reduzir um percentual estipulado por ano, ela compensa com a preservação de uma floresta. Mas, como essa não é a atividade fim dela, ela não atua na preservação, vai comprar o crédito para que isso seja feito”, afirma.

De acordo com levantamento parcial feito pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o Rio de Janeiro tem R$ 30 bilhões em ativos ambientais no solo.

Em sua plataforma, o estado pretende negociar e estimular ativos sustentáveis e impulsionar negócios como reciclagem de resíduos sólidos e produção de hidrogênio verde, que tem sido avaliado como potencial substituto para uma série de combustíveis utilizados pela indústria. O estado faz o levantamento de seus ativos ambientais e pretende incluí-los no próximo balanço.

“Será a primeira vez que um ente da federação fará isso, nós faremos agora em 2021. Nós vamos transformar o Produto Interno Bruto do estado do Rio de Janeiro. Precisamos sair do foco em indústria. A indústria é importante, mas essa nova fronteira vai transformar e recuperar o estado. Esse é um tema que estudo há dez anos e temos muito a implementar nos próximos meses”, conclui Rocha.

Questionados, os ministérios da Economia e do Meio Ambiente ainda não retornaram com respostas sobre os questionamentos a respeito dos planos para regulação das negociações de créditos de carbono no Brasil.

Não há ainda prazo para o início das operações da nova Bolsa do Rio. Responsável pelo processo de revitalização da Zona Portuária, a prefeitura gostaria que ela ficasse nessa região, que abriga a Praça Tiradentes e equipamentos novos, como o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio, o AquaRio e a roda gigante RioStar. No entanto, a decisão passará pela aprovação dos parceiros e investidores.

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