Setor de turismo espera reverter perdas do Carnaval cancelado até o fim do ano

Festa responde por 30% de todo o faturamento do turismo em fevereiro, diz Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo

Aglomeração em bloco de Carnaval no Rio de Janeiro. Imagem de arquivo de 28 de fevereiro de 2020
Aglomeração em bloco de Carnaval no Rio de Janeiro. Imagem de arquivo de 28 de fevereiro de 2020 Foto: Saulo Angelo/Thenews2/Estadão Conteúdo

Isabelle Resende da CNN, no Rio de Janeiro

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Os setores de transportes, hospedagem e alimentação serão os mais afetados com o cancelamento do carnaval no Brasil este ano, por conta da pandemia do novo coronavírus. As companhias aéreas e o transporte rodoviário devem sentir o impacto da não realização da folia e da suspensão do feriado em algumas regiões do País, especialmente no nordeste e sudeste. 

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o Carnaval é responsável, tradicionalmente, por 30% de todo o faturamento do turismo em fevereiro. O economista da CNC, Fábio Bentes, explica que esse ano, o prejuízo acaba sendo ainda maior porque o setor já vem perdendo receita desde o início do ano passado.  

A CNC calcula que o segmento já perdeu R$ 261,3 bilhões, entre março e dezembro do ano passado — o equivalente a mais de quatro meses de faturamento. Bentes lembrou ainda que o setor de turismo perdeu cerca de 400 mil vagas formais de trabalho em 2020, em decorrência da crise sanitária.

 

No ano passado, a data movimentou aproximadamente R$ 8 bilhões e gerou cerca de 25 mil empregos. Excepcionalmente neste ano, a CNC não fez projeções concretas sobre o carnaval, sobretudo por conta das diferentes decisões de estados e municípios em relação ao feriado.

Por conta da pandemia da Covid-19 e das medidas de distanciamento social, a cidade do Rio de Janeiro deve perder R$ 4 bilhões sem o tradicional Carnaval, com desfiles de escolas de samba e blocos de rua. A estimativa é do Rio Convention & Visitors Bureau, com base na arrecadação de anos anteriores.  A entidade aposta na retomada gradual das atividades turísticas ainda esse ano.

Uma das apostas é no turismo religioso, com as comemorações em torno do aniversário do Cristo Redentor que completa 90 anos em outubro. Além disso, os eventos esportivos, como o Campeonato Sul Americano de Remo, no mês que vem e de congressos científicos, que reúnem principalmente pessoas da área de saúde.

Ao todo, 125 eventos devem atrair para a cidade uma média de 614 mil turistas este ano. A diretora -executiva do RCVB, Roberta Werner, está confiante que com a divulgação e retomada de alguns eventos ainda esse, seja gerado uma receita de  mais de R$ 2 bilhões.

 

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