Salários despencam na pandemia e mulheres são as mais afetadas, aponta relatório

Mulheres teriam perdido 8,1% do pagamento no segundo trimestre de 2020, comparado a 5,4% para os homens, estima estudo feito em 28 países europeus

*Por Mylena Guedes, da CNN, no Rio

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A previsão é de que a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus continue impactando diretamente a redução de salários no mundo, de acordo com a  Organização Internacional do Trabalho (OIT).  O novo Relatório Mundial Sobre os Salários 2020-21 aponta que a Covid-19 provocou queda ou crescimento lento das remunerações no primeiro semestre deste ano em dois terços dos países com dados oficiais disponíveis. 

Além disso, no Brasil, foi observado um aumento do salário médio. No entanto, esse crescimento é artificial,  porque é causado pelo grande número de demissões de trabalhadores com baixa remuneração. Dessa forma, a queda de empregos alterou a curva de pagamentos. 

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Mulheres no mercado de trabalho

 

Em relação a demissões, 64,6% dos moradores do estado do Rio de Janeiro temem perder o emprego nos próximos três meses, segundo o Instituto Fecomércio. De outubro para novembro, o medo do desemprego aumentou em cinco pontos percentuais. Houve também um crescimento mensal de 3,6% do número de cariocas inadimplentes. A pesquisa do Instituto mostra, ainda, que a confiança dos consumidores na economia brasileira caiu de 102,2 pontos em outubro para 95,6 pontos em novembro.

Em países onde medidas radicais foram tomadas para preservar o mercado de trabalho, a OIT estima que os efeitos da crise foram sentidos principalmente pela baixa de salários, ao invés da queda maciça de empregos.

Importante ressaltar que os trabalhadores não foram atingidos pela crise da mesma forma. As mulheres foram mais afetadas e tiveram consequências alarmantes. Uma estimativa baseada nos dados de 28 países europeus mostra que, sem auxílio salarial, as mulheres teriam perdido 8,1% do pagamento no segundo trimestre de 2020, comparado a 5,4% para os homens.

Os funcionários com salários mais baixos também foram atingidos de forma desproporcional, evidenciando ainda mais a desigualdade. Pessoas com ocupação de baixa qualificação perderam mais horas de trabalho do que aquelas com posição gerencial ou profissional mais bem pago. Sem subsídios temporários, metade das pessoas que ganham menos teriam perdido aproximadamente 17,3%. 

“O crescimento da desigualdade devido à crise da COVID-19 pode deixar um legado de pobreza e de instabilidade social e econômica que seria devastador. Nossa estratégia de recuperação deve ser centrada nas pessoas. Se queremos reconstruir pensando em um futuro melhor, também temos que enfrentar questões incômodas tais como por que empregos de alto valor social, como cuidadores e professores, estão frequentemente associados a baixos salários”, afirma o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. 

O Relatório inclui, ainda, uma análise dos sistemas de salário mínimo, que podem ser um fator determinante para alcançar uma recuperação sustentável. O salário mínimo existe em 90% dos 187 países membros da Organização.  Entretanto, mesmo antes da pandemia, 266 milhões de pessoas no mundo, o que equivale a  15% de todas as pessoas assalariadas, recebiam uma remuneração inferior a do salário mínimo por hora. 

Globalmente, o valor do salário médio mensal no ano passado foi de US$ 486 em Paridade de Poder de Compra (PPC, que compara as moedas de diferentes países por meio  de um índice). No Brasil, o salário-mínimo em PPC era de US$ 443, o quinto mais baixo entre 32 países pesquisados nas Américas.

(*Sob supervisão de Robson Santos)

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