Salesforce diz que ajudará funcionários a deixar o Texas por lei antiaborto

Lei antiaborto do Texas prevê punição até para motoristas que transportarem mulheres para clínicas de aborto; empresas se posicionaram

Logotipo da Salesforce.
Logotipo da Salesforce. 7/3/2019. REUTERS/Brendan McDermid

Ramishah Marufdo CNN Business

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A Salesforce (CRM) anunciou que ajudará seus funcionários e suas famílias a deixar o Texas depois que o estado aprovou a lei de aborto mais restritiva dos Estados Unidos.

Em uma mensagem do Slack (WORK) obtida pela CNBC, a empresa de computação em nuvem disse a seus 56 mil funcionários que “está com todas as nossas mulheres, na Salesforce e em todos os lugares. Dito isso, se você tiver preocupações sobre o acesso à saúde reprodutiva em seu estado, a Salesforce ajudará a realocar você e os membros de sua família”, disse a mensagem.

A Salesforce não se posicionou sobre o projeto de Lei 8 do Senado no comunicado. A empresa possui 16 escritórios nos Estados Unidos, incluindo um em Dallas.

 

A lei do Texas, que proíbe que profissionais de saúde realizem abortos uma vez que um batimento cardíaco fetal é detectado, essencialmente, já proíbe o processo quando a mulher está com menos de seis semanas de gravidez. (De acordo com a lei federal atual, o procedimento é legal, mas muitos estados têm restrições, como períodos de espera ou a proibição total após a gravidez passar de 20 semanas.)

A lei antiaborto entrou em vigor em 1º de setembro, depois que a Suprema Corte e o Tribunal Federal do Estado se recusaram a tomar uma decisão sobre a rejeição do projeto. De acordo com os contrários à lei, a nova legislação proíbe pelo menos 85% dos abortos buscados no estado. O texto também prevê punição para qualquer pessoa que “auxilie ou estimule” o procedimento, incluindo familiares e amigos ou até mesmo o motorista que realizar o transporte de uma mulher de ou para uma clínica de aborto.

O Departamento de Justiça entrou com uma ação contra o Texas sobre a lei do aborto na quinta-feira.

Na sexta-feira à noite, o CEO da Salesforce, Marc Benioff, tuitou: “Ohana, se você quiser se mudar, vamos ajudá-lo a sair do TX. Sua escolha.”

Benioff e a Salesforce há muito defendem as causas sociais e a responsabilidade corporativa.

A Salesforce adquiriu a Slack em dezembro por mais de US$ 27 bilhões. Desde então, as ações da companhia subiram mais de 6%.

“Os negócios são a melhor plataforma para as mudanças. Meu papel é ajudar os CEOs a ver que podem mudar”, disse Benioff em uma entrevista ao CNN Business em dezembro.

Esta não é a primeira vez que a empresa critica uma polêmica lei estadual. A Salesforce foi uma das primeiras vozes corporativas contra os projetos de lei eleitorais da Geórgia, que os críticos disseram ser uma clara supressão dos eleitores. Atlanta abriga as Salesforce Towers, a sede regional da empresa, que possui 1.300 funcionários.

“O direito de uma pessoa de votar é a base de nossa democracia”, tuitou a Salesforce em março, depois que a Câmara dos Representantes da Geórgia aprovou um projeto de lei que previa pontos como a identificação do eleitor, menos tempo para a solicitação de cédulas tardias e acesso limitado à votação antecipada. O texto também proibia o oferecimento de água para os eleitores que estivessem esperando sua vez de votar.

“O projeto de lei limita o acesso confiável, seguro e igualitário ao voto, restringindo a votação antecipada e eliminando as cédulas provisórias. É por isso que a Salesforce se opõe ao HB 531 tal como está”, disse a empresa.

Enquanto a “América corporativa” tomou posições públicas sobre os protestos de justiça racial do verão passado e às leis de voto restritivas arquivadas ou promulgadas em diferentes estados, a mesma “América corporativa” permaneceu, em grande parte, silenciosa sobre a lei de aborto do Texas.

As exceções incluem o Bumble e o CEO do Match Group (MTCH), que anunciaram na semana passada que estavam criando fundos de ajuda para as pessoas afetadas pela lei texana.

“O Bumble é fundado e liderado por mulheres, e desde o primeiro dia defendemos os mais vulneráveis. Continuaremos lutando contra leis regressivas como o #SB8”, disse a empresa em seu perfil no Twitter.

E o CEO da Lyft (LYFT), Logan Green, tuitou que a sua empresa criou um fundo de defesa para cobrir taxas legais para qualquer um de seus motoristas que são processados ​​sob o SB8. O Uber (UBER) anunciou, em seguida, que faria o mesmo. Isso porque, como citado acima, o texto da lei antiaborto pode tornar os motoristas responsáveis ​​por ajudarem uma pessoa a fazer um aborto ao transportá-las, mesmo sem terem conhecimento sobre a condição médica dos clientes.

Nenhuma grande empresa anunciou que vai deixar o Texas. Grandes corporações sediadas no Texas, como a Hewlett Packard (HPQ) em Houston, se manifestaram publicamente contra a nova lei de votação restritiva do estado, que entrou em vigor em 7 de setembro.

Outras cidades estão capitalizando sobre as novas leis polêmicas do estado.

A cidade de Chicago exibirá um anúncio de página inteira na edição de domingo do The Dallas Morning News listando os motivos pelos quais Windy City é “um ótimo lugar para negócios”. Esse anúncio faz referência a votação, aborto e Covid-19 — todas as principais questões políticas no Texas.

(Texto traduzido. Leia aqui o original em inglês.)

 

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