Saque extraordinário do FGTS deve injetar R$ 10 bi no comércio em 3 meses, diz CNC

Confederação dos lojistas aprova medida e espera mais vendas para o Dia das Mães

Thayana AraújoElis Barretoda CNN

no Rio de Janeiro

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Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens de Serviço, Comércio e Turismo (CNC) estima que nos próximos três meses, o setor do comércio deve receber um aporte de R$ 10 bilhões, vindos do saque extraordinário do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Segundo a estimativa, isso representa 36% dos R$ 29 bilhões que serão liberados pelo governo federal.

De acordo com o economista Fabio Bentes, da CNC, além do comércio, os serviços, os pagamento de dívidas e o consumo futuro serão as outras três principais destinações do valor de até R$ 1.000 que serão resgatados por cerca de 42 milhões de trabalhadores.

“Por mais que seja um valor expressivo, isso representa apenas 1,5% das vendas do comércio nesse trimestre. Outro ponto é a alta inflação, que aperta o orçamento familiar e vai fazer com que o consumo se destine ao comércio de itens essenciais. Produtos como vestuário e eletrodomésticos, por exemplo, não devem ser impactados por essa injeção econômica.”, explica Bentes.

Apesar da análise, a expectativa do setor ainda é otimista quanto à destinação do saque extraordinário. A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) espera um aumento nas vendas para o feriado do Dia das Mães, já que os saques começam no dia 20 de abril, pouco mais de duas semanas antes da data comemorativa.

“Essa experiência já foi usada em outros momentos e o impacto na economia sempre foi muito positivo. A injeção de dinheiro novo traz dois movimentos que consideramos fundamentais. Ele possibilita que o cidadão amortize ou quite suas dívidas, e, ao mesmo tempo, dá folga para o consumidor voltar às lojas e aquecer as vendas no comércio”, completa a entidade.

De acordo com a análise da CNC, o segundo setor que mais receberá compras por conta da medida será o de serviços, com uma fatia de 34%, ou seja cerca de R$ 9,8 bilhões. Em seguida, a quitação de dívidas deve consumir 24% do valor, e apenas 6% deve ser poupado para consumo futuro.

O professor Alberto Ajzental, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP/FGV), acredita que o valor extra do FGTS terá mais efeito no consumo básico e essencial. Para o especialista, as famílias vão cumprir com uma hierarquia natural de prioridades.

“Primeiro elas (famílias) vão resolver questões alimentares. Comer aquilo que gostam e não têm acesso há um tempo, exemplo, comprar uma carne bovina. A segunda prioridade é quitar dívidas básicas de luz, água e telefone. Em terceiro lugar, elas vão amortizar outras dívidas e evitar juros altos. Vencendo essas etapas, e sobrando algum dinheiro, as famílias podem priorizar a compra de roupas e calçados”, explica.

O economista lembra que a última liberação de valor extra do FGTS aconteceu entre 20/12/2019 e 31/03/2020. Neste período, segundo a CNC, o Brasil tinha 65,6% de famílias endividadas e, desse número, 24,5% estavam com contas em atraso.

Este ano, o FGTS será liberado entre 20/04 e 15/06. Os dados mais atualizados da confederação indicam que 77, 5% de famílias estão endividadas e deste número, 27, 8% estão com parcelas em atraso.

“É possível perceber que o momento atual é bem pior em termos de endividamento em relação ao momento da última liberação do FGTS”, concluiu o economista da FGV.

Segundo o Serasa o valor da dívida do brasileiro é de R$ 4042, ou seja, quatro vezes mais do que o valor de mil reais que o governo está liberando de FGTS. Ainda segundo o Serasa, 28,6% das dívidas dos brasileiros são com banco e cartão de crédito.

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