Schwartsman: tempo da política monetária não pode ser subordinado ao da política

À CNN, ex-diretor do BC ressaltou que a autonomia da instituição tem como objetivo blindá-la de interesses políticos

Da CNN, em São Paulo

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O projeto de autonomia do Banco Central (BC) avança rapidamente no Congresso, especialmente após a Câmara aprovar urgência para a tramitação do tema que até não muito tempo tinha pouco ou nenhum apoio, como lembrou Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC, em entrevista à CNN.

Schwartsman ressaltou que a autonomia do BC tem como objetivo blindar a instituição de interesses políticos, uma vez que políticas econômicas muitas vezes tem um timing diferente da política.

“Autonomia chega para limitar a capacidade do executivo de mudar liderança do BC. O tempo da política monetária não está subordinado a questões políticas. Com a autonomia, você perde o poder de demitir o corpo diretivo que não obedece os desejos do presidente da República.”

 

O ex-diretor do BC disse que a experiência mundial dos últimos anos mostrou que um BC autônomo trouxe melhores resultados do que aqueles subordinados a governos centrais.

“Ao longo de muitos anos, o que observamos é que bancos centrais mais autônomos obtêm resultados melhores de inflação. Quando a inflação está na meta, o BC pode responder a grandes crises abaixando a taxa de juros, conseguindo moderar o impacto dos ciclos econômicos na economia.”

Banco Central do Brasil
Apesar da queda no cheque especial, o período foi marcado por alta dos juros médios
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

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