Se Selic subir rápido, inflação fica abaixo da meta em 2022, diz Campos Neto

Presidente do Banco Central afirmou que ajuste integral rápido da taxa básica de juros pode deprimir os preços no ano que vem

Da CNN, em São Paulo

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Em entrevista exclusiva à CNN nesta quinta-feira (27), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que um “ajuste integral” da taxa Selic, ou seja, uma aumento da taxa básica de juros até o ponto em que deixe de estimular a economia, pode acabar fazendo com que a inflação, no ano que vem, fique baixa demais. 

Campos Neto afirmou, porém, que o BC está atento aos sinais de persistência na alta dos preços e “está disposto a fazer o que precisa para que o Banco Central atinja sua meta de inflação”.

Ele também mencionou que, de acordo com projeções feitas pelo BC com base no ritmo atual de vacinação, será possível que o país já consiga ter uma “abertura razoável” da economia no segundo semestre. O presidente do Banco Central falou à CNN em entrevista ao apresentador William Waack e a analista Raquel Landim. 

“O que nós temos comunicado é que o [ajuste] parcial advém do fato de que, quando colocamos nos nossos modelos um ajuste integral rapidamente, a inflação de 2022 vai abaixo da meta. (…) O horizonte do que a gente faz hoje tem um tempo para acontecer, então imaginamos um ajuste parcial hoje, porque se o ajuste fosse feito de uma forma mais rápida [a inflação] ficaria abaixo da meta”, disse ele. 

“Se em algum momento houver o entendimento de que isso não mais é verdade, nós vamos mudar a linguagem e nos adequar para sempre termos certeza de que estamos cumprindo a nossa meta de inflação”. 

Depois de baixar a Selic para 2% no ano passado, o menor patamar já registrado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC voltou a subir os juros de maneira rápida de março para cá, conforme as altas fortes da inflação e do câmbio. 

Atualmente, a taxa está em 3,5%, mas o Copom tem reafirmado em seus comunicados que o ajuste dos juros deve ser parcial. Economistas estimam que um “ajuste total” da Selic equivaleria a elevá-la até por volta dos 6% ou 6,5%.

“Vacinação é a saída para a economia”

Ainda de acordo com Campos Neto, cálculos feitos pelo BC com base no ritmo atual de vacinação indicam que o país já pode ter uma atividade mais normalizada no segundo semestre. 

“Nós fizemos um cálculo com dados do Ministério da Saúde e, assumindo que todas as vacinas já disponíveis sejam aplicadas, levando em consideração as prioridades de idade e de grupos, entendemos que, com o ritmo de vacinação atual, conseguimos ter uma reabertura razoável do país a partir do segundo semestre”, disse.

“A vacinação é a saída para a economia, a questão fiscal, o crescimento e o emprego”, acrescentou. 

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