Segunda fase do Pronampe: R$ 6 bi ainda não foram contratados, diz VP do BB

Folga no fundo de garantia não deve durar muito tempo, porém; executivo diz que ainda é cedo para afirmar sobre uma terceira fase do programa

Fachada de um dos prédios do Banco do Brasil (29.out.2019)
Fachada de um dos prédios do Banco do Brasil (29.out.2019) Foto: Adriano Machado/Reuters

Manuela Tecchio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Dos R$ 12 bilhões repassados pelo governo ao Banco do Brasil, como garantia dos empréstimos do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), R$ 6 bilhões ainda não foram comprometidos. A informação foi confirmada na sexta (4), pelo vice presidente de Governo do BB, João Rabelo, em entrevista ao CNN Brasil Business.

Mas essa garantia pode ser contratada rapidamente, ainda no início desta semana, disse Rabelo. “Em alguns bancos ainda há limite. No geral, ainda tem algum valor que não está contratado, mas muito desses recursos já está comprometido, apalavrado”, disse.

A razão para a alta procura, diz o VP, é a necessidade do momento somada às condições amigáveis. Empréstimos como esses, a pequenos empreendedores que precisem honrar compromissos com fornecedores, empregados e impostos, geralmente custam em torno de 1% ao mês. 

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Com o Pronampe, o crédito sai pelo valor da Selic somado a 1,25% ao ano. “A operação é de 36 meses, com 8 de carência. Mesmo que a taxa básica aumente, o empresário vai pagar 4% ao ano no pior dos cenários”, explica o VP.

De acordo com ele, até agora, 17 agentes financeiros contrataram as garantias desta segunda fase, adesão ainda maior do que os 11 bancos que participaram na primeira fase. A maior capilaridade facilita a vida do empreendedor, mas, para isso, foi preciso adaptar a distribuição dos recursos. 

“Desenvolvemos uma plataforma onde a gente consegue autorizar o empréstimo em dois ou três segundos. Isso dá uma agilidade muito grande ao processo. A grande vantagem disso, para o pequeno empreendedor, é que pode ser atendido no próprio banco, ao qual está acostumado, sem precisar abrir conta numa nova instituição”, explica.

Sobre as medidas que os bancos têm adotado para evitar a inadimplência, Rabelo não entra em detalhes e afirma que não há motivo para preocupação. Especialmente depois que a Receita Federal liberou informações sobre o rendimento de 2019 aos empreendedores. Com esse levantamento em mãos, os pequenos empresários foram às agências pedir o crédito.

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“O Pronampe resolveu dois problemas para os tomadores de risco: primeiro, a questão da confirmação do score de crédito, já que a Receita tirou a assimetria de informação dos balanços; em segundo lugar, reduziu a incerteza, que é diferente do risco. As garantias desse fundo foram muito bem aceitas pelo sistema como um todo”, alega.

Segundo Rabelo, a partir do momento em que esse crédito entra para o empreendedor, o reaquecimento dos negócios é natural e, também por isso, não se deve temer a inadimplência. “Se você rompe esse primeiro momento de sufoco, o sistema de crédito volta a funcionar normalmente para esse empresário, esse cliente volta a ter acesso a outras linhas e consegue retomar os negócios”, afirma. 

Para quem se interessa pelo programa, a sugestão do VP é procurar o gerente do próprio banco assim que possível para fazer o registro nas filas. Ele não sabe dizer, no entanto, se vai haver uma terceira fase do Pronampe ou novos estímulos de crédito no curto prazo.

“É cedo pra dizer se vai ter terceira fase. Acredito que o governo vai esperar para ver a reação do mercado a essa injeção de recursos. Junto com o Pronampe, o BC ainda editou o Programa de Capital de Giro para Preservação de Empresas (CGPE), outro incentivo para esse mesmo público. Já estamos realizando um estudo para ver como essa ajuda chegou para o empreendedor, para entender se, de fato, resolveu as questões. Vamos ter uma ideia melhor disso em algumas semanas”, disse.

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