Selic mais alta por mais tempo visa inflação abaixo de 4% em 2023, diz Campos Neto

BC já admite expectativa de que IPCA do ano que vem fique acima do centro da meta, de 3,25%

Presidente do BC, Roberto Campos Neto: volume de choques e grau de incerteza é grande
Presidente do BC, Roberto Campos Neto: volume de choques e grau de incerteza é grande 09/01/2020. REUTERS/Adriano Machado

Anna Russida CNN

Brasília

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, esclareceu que o Comitê de Política Monetária (Copom) concentra esforços para que a inflação de 2023 fique abaixo dos 4%. Segundo ele, é isso que o BC quis comunicar quando informou que a última decisão de elevar a Selic a 13,25% é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante (2023)”.

Ainda assim, o BC já admite expectativa de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano que vem fique acima do centro da meta, que é de 3,25% com margem entre 1,75% e 4,75%.

“Só quero deixar claro que ‘ao redor’ é menor que 4%. A gente fala de uma taxa mais alta por um horizonte maior na mesma estratégia do ao redor da meta. Entendemos que isso é suficiente para atingir convergência. O volume de choques e grau de incerteza é tão grande que entendemos essa como a melhor forma de fazer esse comunicado”, disse durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (23).

O diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, ainda destacou a incerteza maior do que usual nas projeções utilizadas. “Temos enfatizado que essa incerteza aumentou no último ciclo e por isso adotamos o ‘ao redor'”.

Questionado sobre a possibilidade de uma mudança nas metas de inflação já definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o presidente do BC enfatizou que a autoridade monetária possui apenas um voto dos três totais no órgão. Ele também avaliou tal estratégia como ineficaz.

“Modificar uma meta de curto prazo que já não está no horizonte relevante não te dá nenhuma credibilidade porque você não tem instrumentos que atuem naquele horizonte. Modificar uma meta muito longa também, que hoje tá muito perto da meta, também não parece te dar muita credibilidade porque a meta longa está relativamente perto da meta”, argumentou.

O CMN se reúne ainda nesta quinta-feira (23) para definir a meta de inflação de 2025. O órgão também deve reiterar ou revisar as metas de 2023 e 2024.

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