Sem apoio do governo, BC atua sozinho para conter inflação, diz economista

À CNN Rádio, Paulo Duarte avaliou que pressão para aumento da taxa de juros seria menor, se houvesse responsabilidade fiscal no país

Sede do Banco Central em Brasília
Sede do Banco Central em Brasília 27/11/2019REUTERS/Ueslei Marcelino

Amanda Garciada CNN

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O Banco Central está em uma “situação difícil”, já que não conta com a política fiscal no momento para ajudar sua meta de conter a alta dos preços, na avaliação do economista-chefe da Valor Investimentos, Paulo Duarte.

“(A autoridade monetária) está tendo que atuar sozinha, sem o suporte da equipe econômica, para conter a inflação que corrói o poder de compra e é mais nociva para a população mais carente”, disse nesta quinta-feira em entrevista à CNN Rádio.

Em meio à escalada da inflação e dos temores do mercado em relação a um possível cenário de descontrole fiscal, o BC acelerou o ritmo de alta da Selic, que subiu em 1,5 ponto percentual na noite desta quarta-feira (27), para 7,75% ao ano.

Na visão de Duarte, se a equipe do ministro Paulo Guedes mantivesse o discurso de responsabilidade fiscal, a pressão sobre o BC, seria menor.

“Estava previsto um aumento [da Selic], mas essa magnitude é a maior desde 2002. O que acontece é que o BC vai ter que aumentar a taxa mais rapidamente e chegando num ciclo de aumento maior, especulava-se que pararia em 9%; hoje se fala até 12% para tentar levar IPCA para o centro da meta, não em 2022, mas em 2023”, disse.

(Publicado pro Ligia Tuon)

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