Sem outros choques, é possível inflação na meta em 2022, diz Campos Neto

Desde março, o Banco Central iniciou o movimento de elevação da taxa básica de juros

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto Foto: Raphael Ribeiro - 23.mar.2020/BCB

Anna Russido CNN Brasil Business

em Brasília

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que a instituição conseguirá atingir a meta de inflação em 2022 no ritmo de alta da taxa de juros, contanto que nenhum outro choque surpreenda. Ainda assim, ele reforçou que a autoridade monetária fará o que for preciso para cumprir esse objetivo.

“Achamos que é possível fazer nosso trabalho com o ritmo que estamos levando agora, a não ser que outro choque apareça. Nosso alvo é 2022 e faremos de tudo para levar a inflação à meta“, afirmou nesta sexta-feira (15), em evento virtual do Goldman Sachs.

Desde março, o BC iniciou o movimento de elevação da taxa básica de juros. A Selic, à época em 2% a.a, atualmente está em 6,25% a.a. De acordo com a ata da última reunião, o patamar deve subir mais 1 ponto percentual na próxima reunião, no fim de outubro.

“A taxa final é mais importante do que o ritmo de alta. Há uma incerteza a nossa frente ainda e preferimos ter mais tempo para analisar as decisões em vez de fazer mais rapidamente. Então, temos esse trade off que nos sinaliza que é melhor continuarmos com o mesmo ritmo”, explicou o chefe do BC.

Câmbio

Questionado sobre uma possível preocupação do Banco Central com o nível de desvalorização da moeda brasileira, Campos Neto, esclareceu que o câmbio flutuante tem, de fato, a função de absorver choques quando necessário.

“O que é importante é como isso alimenta a inflação e as expectativas de inflação, que são nossos alvos”, afirmou ao reforçar que o BC apenas interfere na política cambial em caso de mal funcionamento do mercado. “Nunca interferiremos em curto prazo, tempo real. Seria para ter um resultado em alguns dias”, completou.

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