Sem times brasileiros em 2021, Florida Cup espera movimentar mais de US$ 20 mi

Arsenal e Everton, da Inglaterra; Inter de Milão, da Itália; e Millonarios, da Colômbia, participam do evento em julho

Flamengo e Ajax se enfrentam pela Florida Cup de 2019
Flamengo e Ajax se enfrentam pela Florida Cup de 2019 Foto: Florida Cup/Divulgação

Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Um torneio de futebol realizado nos Estados Unidos para unir clubes europeus e da América do Sul. Foi assim que nasceu, em 2015, a Florida Cup, pelas mãos do ex-jogador e agora empresário brasileiro Ricardo Villar.

Seis anos e uma pandemia depois, o evento muda de data em 2021 e ocorre pela primeira vez sem clubes brasileiros, que venceram quatro das seis edições passadas, por conta das restrições de circulação impostas pelo governo norte-americano.

Com isso, os times que irão a campo no Camping World Stadium, em Orlando, entre os dias 25 e 28 de julho, são: Arsenal e Everton, da Inglaterra; Inter de Milão, da Itália; e Millonarios, da Colômbia.

Arsenal e Inter se enfrentam na primeira semifinal, seguido de Everton contra Millonarios. Três dias depois, os perdedores se enfrentam na disputa de terceiro lugar e os vencedores competem pelo título.

Mesmo com os desfalques canarinhos, Villar espera que o evento movimente mais de US$ 20 milhões, marca alcançada nas últimas duas edições do certame. Isso porque a participação dos clubes europeus atrai cada vez mais público local.

“As vendas de ingressos estão avançando bem e, quando olhamos as compras locais, 45% vieram de outros estados que não a Flórida. Os norte-americanos querem ver grandes clubes jogando e pretendemos aproveitar isso”, diz.

Dados do braço esportivo da consultoria Nielsen, a Nielsen Sports Sponsorlink, corroboram este crescente interesse dos yankees pela modalidade. Em 2018, 47% dos americanos disseram se interessar pela Major League Soccer (MLS), campeonato local de futebol. Em 2012, eram apenas 37%.

A Statista, por sua vez, aponta que o mercado esportivo norte-americano deve movimentar US$ 83 bilhões em 2023 entre receitas de ingressos, direitos de mídia, patrocínios e merchandising. Lá, o soccer ainda corre atrás de futebol americano, basquete, beisebol e hóquei, mas tem margem para crescer.

Prova disso é que a MLS vai lançar uma liga secundária de transição para desenvolver novos jogadores e os Estados Unidos vão ser sede, ao lado de México e Canadá, da Copa do Mundo de 2026.

Evento

O crescimento interno é bem-vindo, obviamente, mas o público de fora é parte importante no ecossistema da Florida Cup. Villar conta que a empreitada começou com investimentos dos idealizadores, mas hoje se mantém com parceiros que enxergam potencial, muitas vezes turístico, no produto.

“É claro que temos fluxos como bilheteria e direitos de transmissão, mas o turismo e as companhias do setor ajudam muito a movimentar o evento. Nessa linha, quando a Universal Parks & Resorts passou a apoiar a Florida Cup, mudou o nosso patamar”, diz.

No site da competição, há pacotes especiais de acomodação e lazer (parques temáticos) oferecidos pela Universal; passagens domésticas e acomodação por intermédio da agência de turismo Kaluah; e até viagens de e para a Colômbia com a Aviatur. 

As últimas edições também vinham fortalecendo um viés de entretenimento para o torneio. Em 2019 e 2020, por exemplo, houve shows da cantora Ivete Sangalo. Algo que, para Villar, ajuda a dar contornos mais familiares para o produto.

“Este ano vamos focar mais nos jogos por conta dos protocolos sanitários, mas queremos continuar explorando esse lado do evento. É mais um atrativo para a família brasileira, ou até de outros países, que viaja para Orlando.”

Futebol

Nascido em São Paulo, Villar jogou na base do São Paulo Futebol Clube até se mudar para os Estados Unidos para cursar faculdade e praticar o esporte em competições universitárias.

Se profissionalizou em 2002 e jogou, além dos EUA, na Áustria, na Coreia do Sul, na Alemanha e na Grécia. Quando parou de competir, utilizou seus conhecimentos no setor para desenvolver o produto.

“Eu sabia que os clubes europeus estavam buscando abrir novos mercados e algumas ligas, como a alemã, incentivam que clubes participem de eventos fora de casa. No Brasil, nosso primeiro contato foi com times e dirigentes que tinham uma visão de mercado mais ampla e queriam trabalhar suas marcas internacionalmente”, afirma.

Edu Gaspar, ex-jogador da seleção brasileira e hoje cartola, já esteve dos dois lados da história. Levou o Corinthians para a competição em 2015 e hoje, em 2021, levará o Arsenal para o evento.

“O objetivo é o mesmo. Identificar as melhores condições técnicas para preparação da equipe (por ser um evento de pré-temporada). Hoje conto até com um envolvimento maior dos diferentes departamentos do clube no projeto”, diz.

Inicialmente realizado em janeiro, o torneio ocorria antes do início da temporada brasileira e a meio da europeia. Este ano, por ser em julho, a coisa se inverte. E deve se manter assim pelo menos até o ano que vem, já que a Copa de 2022 será realizada em dezembro.

“Com o produto estabelecido, podemos ir mudando as datas para buscar diferentes públicos. Também existem jogos “soltos”, como as supercopas, que são uma oportunidade. A entrada dos grandes europeus cria muitas possibilidades”, diz Villar.

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