Senado deve reduzir eficácia de compra de títulos pelo Banco Central

O Senado previu que o BC só poderá adquirir títulos de empresas que tenham sido avaliadas pelas agências de classificação de risco

Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Raquel Landimda CNN

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O mercado financeiro recebeu com ligeiro otimismo as mudanças previstas pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) no projeto do governo de compras de títulos de dívida corporativas pelo Banco Central.

A proposta, no entanto, tem um ponto que pode enfraquecer o poder de fogo do BC. O senador tucano previu que a autoridade monetária só poderá adquirir títulos de empresas que tenham sido avaliadas pelas agências de classificação de risco – Moody`s, S&P e Fitch.

Segundo Victor Candido, economista-chefe e sócio da Journey Capital, é uma restrição importante, porque o Brasil tem muitas empresas regionais de porte médio bem estruturadas, mas que não são acompanhadas pelas agências. “Essa exigência restringe bastante o alcance da medida”, diz Candido.

O objetivo da mudança proposta pelo Senado é evitar que a autoridade monetária compre os chamados “papeis podres” de empresas com problemas financeiros.  No entanto, na avaliação de especialistas do mercado financeiro, essa análise poderia ser feita pelo próprio Banco Central ou por consultores contratados.

“Esse ponto da exigência de aval das agências é complicado, mas, no geral, a proposta que veio do Senado é boa. Havia uma expectativa de que pudesse ser muito pior, eliminando, por exemplo, a possibilidade do BC comprar debêntures do setor privado”, disse Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e sócio fundador da Mauá Investimentos.

A aquisição de títulos das empresas diretamente pelo Banco Central é importante para “desempossar” o crédito. Por conta da aversão ao risco, os bancos seguram os empréstimos apesar das injeções de liquidez feitas pelo BC.

Outra função é “alongar” a curva de juros, o que ocorre quando o BC compra papeis do Tesouro de longo prazo e vende títulos de curto prazo. Dessa forma, a autoridade monetária reduz as anomalias do mercado, facilitando eventuais investimentos das empresas ao reduzir os juros de longo prazo.

Outras regiões do mundo já fazem esse tipo de operações de aquisições de dívida por bancos centrais desde a crise global de 2008. O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, é um dos mais ativos, mas também utilizam esse mecanismo o Banco Central do Japão, o Banco Central Europeu (BCE), entre outros.

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