Setor de serviços cai 4% em março e volta a ficar abaixo do patamar pré-pandemia

Dado teve alta de 4,5% na comparação com o mesmo mês do ano anterior

Rua 25 de Março fica lotada com reabertura do comércio de rua (19.abr.2021)
Rua 25 de Março fica lotada com reabertura do comércio de rua (19.abr.2021) Foto: Reprodução / CNN

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O volume do setor de serviços do Brasil caiu 4,0% em março em relação a fevereiro e teve alta de 4,5% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (12).

“O setor mostrava um movimento de recuperação desde junho do ano passado e chegou a superar o patamar pré-pandemia. Mas, com a queda em março, encontra-se 2,8% abaixo do volume de fevereiro do ano passado”, afirma o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Três das cinco atividades medidas tiveram queda, com destaque para o resultado de serviços prestados às famílias, que caiu 27%, a taxa negativa mais intensa desde abril de 2020 (-46,5%). Também contribuíram para o índice as quedas de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-1,9%) e de profissionais, administrativos e complementares (-1,4%).

André Perfeito, economista-chefe da Necton, afirma que o resultado, se comparado ao mesmo mês do ano passado, veio acima da mediana das projeções. “Nossa estimativa era de 4% de alta. A variação no trimestre encerrado em março veio também no terreno positivo e avançou 2,79%”, diz.

“Os dados são positivos, contudo temos que lembrar que houve queda no primeiro trimestre tanto de indústria quanto comércio, o que aponta para um recuo expressivo do PIB do 1º trimestre de 2021, algo em torno de 3% segundo nossas estimativas iniciais.”

O mês de março de 2021 foi marcado por picos no número de mortes no Brasil por conta da Covid-19, bem como novos fechamentos de negócios em várias localidades. Altamente dependente do contato físico, o setor ainda sente a pressão do desemprego elevado e da inflação.

“(As medidas mais restritivas para contenção da pandemia) foram menos impactantes do que em março de 2020, mas suficientes para fazer o setor de serviço recuar e voltar ao patamar pré-pandemia”, explicou Lobo. “Março teve perdas importantes, assim como no começo da pandemia em 2020”.

Por outro lado apresentaram ganhos em março os setores de informação e comunicação (1,9%) e de outros serviços (3,7%).

O índice de atividades turísticas, por sua vez, registrou retração de 22,0% em março frente ao mês anterior, maior queda desde abril de 2020 (-54,5%). O segmento, que vinha mostrando recuperação entre maio de 2020 e fevereiro de 2021, precisa agora crescer 78,7% para retornar ao patamar de fevereiro do ano passado.

*Com Reuters

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