Setor de serviços no Brasil tem tombo recorde em março por COVID-19, mostra PMI

Índice desabou de 50,4 em fevereiro para 34,5 em março, na maior contração em 13 anos de história da pesquisa

Restaurante vazio em São Paulo em meio à pandemia de coronavírus 
19/03/2020
REUTERS/Rahel Patrasso
Restaurante vazio em São Paulo em meio à pandemia de coronavírus 19/03/2020 REUTERS/Rahel Patrasso Foto: Rahel Patrasso/ Reuters

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A atividade do setor de serviços do Brasil despencou em março, no maior tombo desde o início da pesquisa, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) nesta sexta-feira (3).

O retrocesso é atribuído quase que exclusivamente ao fechamento de empresas e à redução da demanda do consumidor devido às medidas adotadas para contenção do coronavírus.

O IHS Markit informou que o PMI de serviços do país desabou de 50,4 em fevereiro para 34,5 em março, na maior contração do setor para os 13 anos de história da pesquisa.

Em março, houve cancelamento de encomendas e fechamentos de empresas, combinação que resultou no maior declínio de novos trabalhos desde o início da pesquisa, em março de 2007.

As vendas para exportação também contraíram a um ritmo rápido que superou a queda no volume total de novos negócios, em meio ainda ao fechamento de fronteiras internacionais em resposta à pandemia.

“Os dados de março ilustram que o fechamento de empresas, cancelamento de encomendas e recuo da demanda do consumidor em meio à emergência de saúde pública do Covid-19 se traduziram em uma rápida queda na produção do setor de serviços”, disse em nota o diretor de economia do IHS Markit, Tim Moore.

Com esse cenário, os fornecedores de serviços registraram queda no número de empregos e no ritmo mais forte desde outubro de 2016, diante da necessidade de reduzir os gastos operacionais.

Aumento de custos

O setor enfrentou ainda em março forte aumento nos custos, embora a taxa de inflação de insumos tenha sido a mais fraca desde novembro. O dólar forte e o aumento nos preços de itens importados foram considerados os principais responsáveis.

Assim, os preços cobrados tiveram o maior aumento em três meses, com os entrevistados citando a necessidade de repasse dos custos, embora algumas empresas tenham sugerido que descontos foram oferecidos para ajudar a mitigar a queda da demanda.

O futuro é incerto, com a as expectativas mais fracas desde que a pesquisa começou em 2007, diante de preocupações de que a economia doméstica levará um longo tempo para se recuperar do choque provocado pelo coronavírus.

A contração recorde no PMI de serviços levou o PMI Composto do Brasil a despencar para 37,6 em março, de 50,9 em fevereiro, também o menor nível em 13 anos. A indústria também contraiu no mês, mas a um ritmo mais modesto.

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