Setor siderúrgico precisa de defesa comercial, diz presidente da Aço Brasil

Em entrevista para a CNN, Marco Pollo Mello disse que mesmo o liberal Paulo Guedes entende a necessidade de proteger o setor neste momento

Da CNN, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) teve um encontro nesta segunda-feira (1) com Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, órgão que representa a siderurgia brasileira, para discutir maneiras de ajudar o setor que atualmente opera com 40% de sua capacidade de instalada. Em entrevista para a CNN, Marco Polo disse que um dos principais tópicos de conversa com membros do governo foi a criação de um mecanismo de defesa comercial que irá durar alguns meses para ajudar o setor a superar a crise.

“Nossa indústria está ha 6 anos em recessão e agora com crise de demanda terão ainda mais dificuldade de enfrentar países que já estão em plena atividade. Não podemos nos transformar em uma presa fácil diante dessa situação, por conta disso defendemos um mecanismo de defesa comercial para os próximos 6 ou 7 meses,” diz Marco Polo, que falou que não foi a primeira vez que citou o tema em conversas com o governo, e que mesmo o liberal Paulo Guedes entende a necessidade de agir no sentido de proteger as indústrias de aço do Brasil.

“Ministro é um liberal, mas reconhece a peculiaridade da situação. Ele está disposto a trabalhar. Há dois meses tratamos do assunto.”

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Ainda sobre as maneiras de reativar o setor, Marco Polo coloca dois pontos essenciais para a retomada. O primeiro são as exportações, que segundo o presidente da Aço Brasil será vital para reaquecer a siderurgia diante da projeção de lenta retomada no Brasil.

“O mercado interno não vai se recuperar de maneira rápida, então a exportação seria uma alternativa. Pedimos que Bolsonaro fale com Trump para que os Estados Unidos flexibilizem as regras da importação de aço nos EUA.”

Já o crédito é importante para o setor de siderurgia para dar fôlego à cadeia produtiva de fornecedores e clientes, que segundo Marco Polo, estão tendo dificuldades de obter linhas de crédito no momento. 

“O crédito não tem chegado na ponta pela aversão dos bancos privados ao risco. No caso o problema reside nos fornecedores e clientes, que ficam na faixa de até 300 milhões de faturamento por ano, grupo que está tendo mais dificuldade de obter crédito no Brasil no momento.”

(Edição: Diego Freire)

Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil
Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, em entrevista à CNN
Foto: CNN (01.jun.2020)

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