Shell Brasil quer vender gás no mercado livre a partir de 2022

"A companhia está se preparando para lidar com o consumidor a partir do ano que vem", disse Araujo, CEO da empresa

Posto de bandeira Shell, ligado à Raízen (12/03/2018)
Posto de bandeira Shell, ligado à Raízen (12/03/2018) Foto: REUTERS/Marcos Brindicci

Marta Nogueira, da Reuters

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A Shell está se preparando para começar a vender gás no mercado livre no Brasil a partir de janeiro de 2022, afirmou nesta sexta-feira (16) o presidente da companhia no país, André Araujo.

O movimento ocorre diante de promessa feita pela Petrobras ao órgão antitruste Cade de que deixaria de comprar gás natural de parceiros e terceiros, em um passo visto como importante para o desenvolvimento do mercado e o surgimento de novos agentes.

Mas uma atuação mais expressiva de novos investidores em um setor historicamente dominado pela estatal ainda demanda uma série de ações da reguladora ANP e até mesmo da Petrobras, inclusive para garantir o acesso a infraestruturas de gás natural necessárias.

“A companhia está se preparando para lidar com o consumidor a partir do ano que vem”, disse Araujo, durante coletiva de imprensa para atualizar sobre a atuação da empresa no país.

O executivo ponderou, no entanto, que questões pendentes precisam ser “endereçadas”, sem entrar em detalhes.

O Brasil sancionou neste mês a chamada nova Lei do Gás, que muda o marco regulatório do setor, em busca de atrair novos investidores além da Petrobras.

Nesse cenário, a Petrobras publicou nesta sexta-feira o edital do segundo processo licitatório para arrendamento do Terminal de Regaseificação de GNL da Bahia (TR-BA) e instalações associadas.

Araujo afirmou que a empresa tem interesse em avaliar. A empresa também poderá participar de novos leilões de geração de energia no Brasil.

Exploração de petróleo

Araujo também reiterou seu interesse em avaliar participação em novas rodadas de blocos de óleo e gás no Brasil.

“Vamos olhar projetos em qualquer regime… temos preferência por concessão”, disse o executivo, ao pontuar que o governo tem tido interesse em ouvir as empresas sobre quais as medidas podem ser tomadas para aumentar a competitividade do país.

“É extremamente importante que o país continue competitivo”, disse o executivo.

Do lado exploratório, o executivo afirmou que a empresa está com uma sonda que deverá realizar perfuração no bloco C-M-791, no segundo semestre do ano.

Ele também pontuou que não há uma decisão sobre se serão perfurados novos poços em Saturno, área em regime de partilha no pré-sal da Bacia de Santos, mas que ainda é cedo para dizer.

A afirmação vem após a notícia de que Petrobras devolveu o bloco de Peroba, no pré-sal da Bacia de Santos, marcando o primeiro retorno de um bloco inteiro arrematado em um leilão de partilha de produção, mostrando que mesmo áreas com grandes perspectivas podem não se tornar comerciais.

Nesta sexta-feira, a petroleira estatal reportou também a devolução da área Sudeste do bloco de Libra, no pré-sal na Bacia de Santos, também sob regime de partilha. A Shell é uma das sócias de Libra, com 20% de participação.

Araujo disse que “gostaria que todas as áreas de Libra fossem produtivas”, mas que o risco faz parte do negócio. Ele frisou ainda que a parte de Libra que está em operação “é muito produtiva”.

Sobre o ativo Gato do Mato, Araujo disse que até o fim do ano deve ter uma ideia mais clara sobre o ritmo para contratação de uma plataforma.

Covid

Sobre os efeitos do coronavírus no Brasil, Araujo afirmou que a empresa teve um total de 330 casos positivos para Covid-19, incluindo funcionários, familiares e contratados, com um caso de óbito.

Segundo dados da empresa, nas operações marítimas, houve 39 episódios de contaminação nos FPSOs Espírito Santo e FPSO Fluminense desde o início da pandemia, sem óbitos, e a produção não chegou a ser impactada.

Araujo afirmou que ao longo da pandemia os procedimentos da empresa foram aprimorados.

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