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    Solução para crise na Argentina não virá no curto prazo, afirma especialista

    À CNN, professor do Insper avalia que moratória em 2001 é origem dos problemas econômicos recentes no país

    Vinícius Tadeuda CNNJoão Pedro Malardo CNN Brasil Business

    em São PauloS

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    A crise econômica que a Argentina enfrenta, com uma disparada na inflação, não deve ter uma solução no curto prazo, avalia o economista e professor do Insper Otto Nogami.

    Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (1º), ele afirma que a superação dos problemas econômicos no país “vai demandar muito tempo pela necessidade de fazer um rearranjo no setor produtivo, na logística. Existem várias lições de casa que o governo terá que fazer, desde que haja interesse de tornar a Argentina um país competitivo, como já foi há muitos anos”.

    Para Nogami, a origem dos problemas do país está na moratória anunciada em 2001, quando o governo admitiu que não conseguiria pagar suas dívidas.

    O movimento “afetou todo o conjunto do setor produtivo da economia, afugentando muito capital estrangeiro produtivo”, e a economia não se recuperou desde então.

    A consequência é um desequilíbrio entre a capacidade produtiva e a demanda doméstica no país, que não é atendida, levando a uma alta nos preços pela baixa oferta.

    “Os governos nunca se preocuparam em reorganizar o setor produtivo da economia, então esse problema foi se alongando, também em função das disputas políticas, então esse desequilíbrio está aumentando cada vez mais”, aponta o professor.

    Há, ainda, uma baixa reserva cambial do governo, levando a uma dificuldade de importar produtos e serviços para atender à demanda doméstica.

    Segundo o professor, o caminho do governo para controlar a inflação deve passar por uma continuidade da alta de juros, buscando esfriar preços e abrir espaço para uma reorganização da economia.

    “Existem outras preocupações, como o próprio desequilíbrio fiscal, que o governo tem que reajustar rapidamente, também tentar reverter o déficit da balança comercial para gerar mais dólares, dando mais segurança ao investidor estrangeiro que fluiria para a Argentina”, diz.

    Nogami avalia que o novo ministro da Economia do país, Sergio Massa, será importante para negociar com os partidos, tentando superar uma tradicional disputa política no país e ajudar o governo a atender às demandas da população por um controle da inflação, mesmo que com medidas impopulares.

    Ele afirma que as manifestações populares atuam como “uma pressão muito grande para o governo, que tem que urgentemente achar uma solução de curtíssimo prazo para acomodar a inquietação da população e ter espaço para poder adotar políticas econômicas urgentes para tirar a Argentina dessa crise”.

    “Há décadas o governo tem enfrentado dificuldades justamente para colocar a economia nos trilhos, é um problema desde a década de 1960, e o conflito político dentro da Argentina é extremamente grande, além da importância dos sindicatos. Há a necessidade de ter uma negociação ampla para definir o horizonte para a economia”, afirma.

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