Startup indiana de educação infantil quer tornar Brasil seu 2º maior mercado

BYJU's surgiu da necessidade de um professor de matemática da Índia de ensinar cada vez mais pessoas; foco da edtech é preparar para as habilidades do futuro

Com a pandemia, ensino remoto se popularizou
Com a pandemia, ensino remoto se popularizou Foto: Willie B. Thomas/Getty Images

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A edtech BYJU’s é a maior startup da Índia e acaba de chegar ao Brasil com planos de tornar o país seu segundo maior mercado no mundo. A empresa, fundada há cerca de dez anos pelo professor Byju’s, começou exatamente pela vontade do docente de ensinar — e ensinar cada vez mais pessoas.

Diz a história que Byjuu’s conseguiu criar um método tão interessante para dar aulas que, de repente, suas salas ficaram cheias. De lá, ele teve de partir para um ginásio. Do ginásio, para um estádio. Era tempo, então, de partir para o mundo da internet a fim de espalhar seus conhecimentos de forma ainda mais eficaz. 

Com 100 milhões de operações realizadas globalmente, a startup quer ajudar a transformar as crianças em “cidadãos do futuro”, com a ajuda de aulas como programação, matemática, lógica e música. Tudo 100% online e na hora que o aluno (ou os pais) acharem melhor.

“Não achamos que a escola e a sala de aula vão acabar. A nossa ideia é complementar os conhecimentos que julgamos importantes”, afirma Fernando Prado, CEO da companhia no Brasil. “Temos a pretensão de ensinar as habilidades do futuro, começando nossa jornada no Brasil ensinando crianças de 6 a 15 anos a programar, depois matemática, lógica e então música. São matérias diferentes, mas por trás dela está o nosso grande objetivo de plantar uma sementinha para que as crianças tomem gosto pelo aprendizado. De fato, e finalmente, aprender é a grande habilidade do futuro“, diz.  

A expansão da BYJUU’s está dividida em duas fases. Na primeira delas, a edtech foi para países de língua inglesa, como Estados Unidos, Austrália e Reino Unido. Na segunda, o objetivo é pisar firme no Brasil, na Indonésia e no México. Tudo com um investimento de cerca de US$ 1,5 bilhão adquirido nos últimos 18 meses.

“O crescimento da empresa foi ainda maior na pandemia porque todos nós, de certa forma, fomos obrigados a aprender a estudar a distância, então a empresa se tornou a maior startup da Índia”, diz. No Brasil, mesmo antes do lançamento oficial, que aconteceu nesta quarta-feira (28), a BYJUU’s já tem 1.800 alunos matriculados. 

 

A metodologia das aulas da BYJUU’s também é diferente das escolas tradicionais, segundo Prado. Isso porque, em vez de aprenderem primeiro a teoria para depois testarem a prática, na primeira aula os alunos já programam um joguinho, por exemplo.

“Trabalhamos com a soma do currículo estudado, que é desenvolvido de forma cuidadosa por especialistas de cada matéria, e também temos a nossa plataforma, que garante um engajamento muito grande do aluno e do professor”, afirma.

“O aluno aprende sempre criando. Em todas as aulas que os alunos tiverem em nossa empresa, eles vão entregar um projeto. Seja um joguinho ou app, que já entregam na primeira aula, queremos dar essa pegada de aprender na prática — forma que achamos mais interessante para o aprendizado.”

No futuro, como conta Prado, o objetivo é realizar parcerias com escolas públicas e particulares do Brasil para alcançar mais crianças e democratizar o ensino das habilidades do futuro. Na Índia, os produtos da BYJUU’s estão espalhados por mais de mil escolas.

“É questão de tempo isso acontecer no Brasil”, sintetiza. 

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