Syngenta aposta no agronegócio da China antes de sua estreia na bolsa de Xangai

O grupo pretende levantar US$ 10 bilhões listando suas ações, o que provavelmente será a maior abertura de capital do ano

Plantação de milho na China
Plantação de milho na China Foto: Cheng Xuelei/VCG/Getty Images

Dominique Patton, da Reuters

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A gigante de defensivos agrícolas Syngenta Group está expandindo rapidamente seus serviços na China antes de realizar listagem no mercado de ações em Xangai.

A maior fabricante mundial de defensivos agrícolas e terceira maior fornecedora de sementes do mundo diz que está aumentando a produção dos grãos e a renda dos agricultores, em meio às preocupações do governo chinês com o abastecimento de alimentos e alta dos preços dos principais materiais agrícolas.

Isso significa oportunidade para a Syngenta de obter participação em um mercado fragmentado quando o assunto são produtos químicos agrícolas.

O grupo pretende levantar US$ 10 bilhões listando suas ações em Xangai, o que provavelmente será a maior abertura de capital do ano.

Mas a Syngenta reconhece que “enfrenta uma tremenda competição nos mercados em que opera”. Os rivais incluem Bayer e Corteva, bem como empresas chinesas.

“Antes, vendíamos pesticidas, sementes e fertilizantes. Agora somos uma empresa de serviços agrícolas – vendemos serviços e tecnologia”, disse Mao Feng, gerente-chefe da plataforma de agricultura moderna (MAP) do grupo Syngenta na China. Essa área da empresa, aliás, deve receber cerca de 12% dos recursos do IPO para expansão, de acordo com um prospecto apresentado na sexta-feira.

Na China, os rendimentos das safras ficam muito atrás dos países ocidentais, mesmo com os produtores usando três vezes mais fertilizantes, enquanto as fazendas no vasto país são minúsculas para os padrões globais, com média de meio hectare, em comparação com 180 hectares nos Estados Unidos.

Portanto, a Syngenta está tentando se ajudar ao ajudar agricultores como Liu Ligang.

Liu, que cultiva 20 hectares no condado de Wei, na província de Hebei, dobrou o tamanho de suas terras nos últimos quatro anos. Ele é um entre vários agricultores chineses que buscam se profissionalizar.

Essa expansão traz mais riscos para os agricultores, exigindo mais conhecimentos e serviços sofisticados.

Liu acaba de colher cerca de 7.500 kg de trigo por hectare, um aumento de 25% em relação ao ano passado e 10% a mais que seus vizinhos, segundo ele, graças ao serviço da Syngenta, que o ajudou a controlar as pragas.

“Antes, era só com a chegada da doença que se iniciava o agrotóxico”, disse. 

Além de fornecer sementes e produtos químicos, a Syngenta administra centros de treinamento em toda a China e possui cerca de 900 fazendas “modelos” para mostrar aos produtores como tirar melhor proveito de cada local. Os agricultores podem utilizar essas terras e, em troca, compram os produtos da empresa.

A área da Syngenta chamada de plataforma de agricultura moderna triplicou sua receita para mais de US$ 280 milhões no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Assim, contribuiu com 4% das receitas do grupo, 1% a mais que no mesmo período do ano anterior.

A empresa também ganha dinheiro vendendo safras e produtos frescos para clientes como os supermercados Hema do Alibaba Group e a Dole Food. Eles pagam preços acima do mercado pela qualidade dos agricultores que cultivam nas fazendas “modelos” e pela rastreabilidade de sua plataforma.

A receita deve chegar a US$ 1 bilhão neste ano e alcançar cerca de US$ 4,5 bilhões até 2025, de acordo com uma estimativa do setor.

Concorrência

Mas outras empresas também estão tentando capitalizar em cima da crescente escala e sofisticação da agricultura chinesa. A Bayer, por exemplo, está procurando um líder de “agricultura digital” na China.

A ICAN, com sede em Pequim, construiu modelos digitais de cultivo para orientar os agricultores na seleção, planejamento e colheita. Ela afirma que sua modelagem pode aumentar os rendimentos enquanto reduz o uso de fertilizantes.

As vendas de fertilizantes e produtos químicos agrícolas na China alcançaram US$ 24 bilhões em 2018, estima o Rabobank, mais do que os US$ 20 bilhões nos Estados Unidos, enquanto o comércio de sementes em cada país era avliado em cerca de US$ 12 bilhões.

Os mercados de insumos são mais fragmentados na China, oferecendo grande espaço para crescimento. A Syngenta gerou menos de 5% de suas vendas na China antes de ser adquirida pela estatal ChemChina em 2017. Ela tinha menos de 1% do mercado de sementes, embora tivesse uma participação mais significativa de 7% nos produtos químicos agrícolas.

O MAP recebe ajuda para alcançar os agricultores por meio da afiliada do grupo Sinofert Holdings, o maior produtor e distribuidor de fertilizantes da China. Suas 30 mil lojas de varejo chegam aos agricultores que trabalham em 95% das terras agrícolas do país, avalia a Fitch.

Mas as pequenas propriedades agrícolas da China aumentam os custos de logística, e o progresso na consolidação de terras tem sido mais lento do que o esperado, disse Thomas Luedi, sócio sênior da Bain & Co em Xangai.

“Descobrimos que, para equilibrar as contas, precisávamos ter 5.000 hectares de terras agrícolas em uma cidade usando nosso serviço”, disse um executivo da indústria que anteriormente dirigiu uma empresa de serviços agrícolas.

A Syngenta disse que a infraestrutura dispersa e as cadeias de suprimentos incompletas dificultam, mas está trabalhando com cooperativas agrícolas e tentando padronizar a produção em aldeias inteiras para reduzir o impacto das propriedades fragmentadas.

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