Tags gratuitas para carros agitam concorrentes e ameaçam líder do mercado

ConectCar, Veloe e Greenpass fazem parcerias para oferecer serviço similar ao do Sem Parar com descontos

Acesso ao pedágio na Linha Amarela, no Rio de Janeiro
Acesso ao pedágio na Linha Amarela, no Rio de Janeiro Fernando Frazão/Agência Brasil (01/11/2019)

Estadão Conteúdo

André Jankavski, do Estadão Conteúdo

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O que fazer quando seus concorrentes começam a oferecer de graça o produto que você vende? É este dilema que vive agora a Sem Parar, líder do setor de tags de pedágios.

Reinando absoluta há mais de uma década nesse mercado – do qual detém pelo menos 80% -, a empresa se vê ameaçada pelo modelo de negócios de rivais como ConectCar, Veloe e Greenpass, que estão formando parcerias para dar gratuitamente o que na Sem Parar custa a partir de R$ 20 por mês.

Isso pode mudar o jogo do setor. Hoje, o país tem cerca de 8 milhões de motoristas com tags, enquanto a frota total é de 46 milhões de veículos. Ou seja, menos de 20% dos carros possuem o serviço. O novo modelo proposto pelas empresas rivais do Sem Parar é de abrir mão da margem em troca de aumento da escala, com a entrada de novos clientes.

A ConectCar, por exemplo, chamou a atenção quando, no mês passado, anunciou que todos os 20 milhões de clientes do Itaú passariam, se quisessem, a ter acesso à tag como um serviço gratuito. O Itaú é o principal acionista da ConectCar, com a Porto Seguro. Além do banco, a empresa tem parcerias do mesmo estilo com a seguradora e com a Localiza.

“Se a empresa chegar ao mercado 15 anos depois do principal concorrente e fizer a mesma coisa, nunca chegará lá. Acredito que o atual modelo de negócios bateu no teto”, diz Felix Cardamone, presidente da ConectCar.

A Veloe, que pertence à Alelo (parceria entre Banco do Brasil e Bradesco), criou parcerias similares com seus bancos controladores e anunciou outra com o BTG Pactual.

Mas a empresa que ajudou a intensificar esse movimento de parcerias é a Greenpass. A empresa funciona no modelo white label, fornecendo tecnologia a empresas como C6, Sicredi, Ticket e Banco Inter, que vendem o produto como se fossem delas.

Criada em 2019, a empresa tem 600 mil usuários ativos. Segundo João Cumerlato, fundador e presidente da Greenpass, esse movimento de parcerias é um caminho sem volta. “A tag vai ser commodity e se tornará parte de um portfólio de serviços”, diz Cumerlato.

Reação da líder

A Sem Parar está prestes a alcançar 6 milhões de clientes. Carlos Gazaffi, presidente da empresa, vê com naturalidade o surgimento de novos entrantes e afirma que não vai mudar sua estratégia.

O foco será trazer diferenciais para seus clientes, como a possibilidade de uso das tags em restaurantes como o Habib’s e o McDonald’s. Além disso, a empresa está indo atrás de montadoras para que seus adesivos já saiam da fábrica colados nos carros.

A Sem Parar também tem apostado, assim como outras rivais, no serviço de assistência técnica para carros mais antigos. Além disso, na última semana anunciou um programa de cashback que dá 2% do dinheiro de volta para quem abastece o carro acima de R$ 100 em postos conveniados utilizando o Sem Parar.

“A concorrência é natural, e não podemos esquecer o alto potencial do mercado. Podemos fazer uma analogia com bancos e maquininhas de cartão: olha quantas surgiram”, diz. E o efeito pode ser feroz. Nas maquininhas, a Cielo, que chegou a ter 70% do setor, hoje domina menos de 40%.

“O mercado está se reinventando, e a Sem Parar tem vários desafios pela frente. Esse setor é um tipo de mercado que pode se tornar obsoleto em função de novas tecnologias e modelos de negócio”, diz Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo do Insper.

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