Táxi aéreo ou voo compartilhado? Confira as vantagens de cada opção

Empresas de propriedade compartilhada de aeronaves ganham força no Brasil com pacotes para diferentes gostos e bolsos

Embraer Phenom 300 da Avantto
Embraer Phenom 300 da Avantto Foto: Divulgação Avantto

Thiago Vinholes, colaboração para CNN Brasil Business

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Sabe o que é mais caro do que comprar um avião? Manter ele em condições de voo. O custo fixo de uma aeronave em ordem supera seu valor de compra em pouquíssimo tempo — e nem um prêmio da Mega-Sena é capaz de pagar a conta no longo prazo. Ter uma aeronave própria, como um jato executivo ou um helicóptero, é um sonho distante até para milionários.  

No entanto, há uma forma mais acessível para adquirir uma aeronave e chamá-la de sua, por meio de propriedade compartilhada. Nesse caso, ela será sua e também de outras pessoas, assim como os custos para mantê-la. O regulamento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprova programas de compartilhamento de aviões entre 16 cotistas; no caso de helicópteros, são 32. 

“É um negócio que cresceu durante a pandemia. Registramos mais de 50% de aumento da demanda de voo, e a base de clientes subiu quase 20% nesse último ano”, disse Rogério Andrade, CEO da Avantto, empresa de gerenciamento e compartilhamento de aeronaves, em entrevista à CNN Brasil Business.

Presente no mercado desde 2011, a Avantto é uma das referências nesse segmento no Brasil e também lá fora. Ela é a dona da maior frota de helicópteros compartilhados do mundo, com 35 aparelhos.

“Também temos mais 30 aviões. O Embraer Phenom 300 é nosso carro-chefe, com cinco unidades na frota”, comentou Andrade. “A propriedade compartilhada é a forma mais acessível que existe atualmente para adquirir uma aeronave. Além do preço de aquisição da cota ser mais baixo, o usuário também compra o serviço de gerenciamento. Ele não tem nenhuma dor de cabeça para administrar a aeronave e ainda conta com a previsibilidade do custo fixo da máquina, que é rateada com os outros cotistas.”

Segundo Andrade, a aeronave compartilhada é vantajosa se o usuário voa entre cinco e 40 horas por mês. “Para um usuário esporádico de aviões executicos ou transporte de helicóptero, vale mais a pena recorrer ao táxi aéreo”, contou o CEO da Avantto.

“A grande maioria das aeronaves privadas voam em média entre 100 e 150 horas por ano. É uma utilização muito baixa em relação ao que elas custam e especialmente por conta do custo fixo mensal que geram. Claro, é um benefício inegável você ter seu próprio avião ou helicóptero inteiramente à sua disposição, mas eles custam muito caro.”

A cota de um Phenom 300 da Avantto compartilhada entre seis usuários custa US$ 1,2 milhão (R$ 6,3 milhões), e a mensalidade sai por R$ 45 mil para cada. O cotista ainda desembolsa mais R$ 7,5 mil por hora de voo no jato.

“Cada cotista tem direito a 10 horas de voo por mês ou 150 horas por ano. A mensalidade mantém o custo fixo da aeronave, que inclui o salário dos pilotos, o hangar onde a aeronave fica guardada, o seguro e uma taxa da Avantto. O valor por hora de utilização é o custo variável, inclui o pagamento do combustível e a despesa da manutenção da aeronave rateada por hora de voo entre os donos da máquina”, explicou Andrade.

Acha caro? “O custo fixo de um Phenom 300 é de R$ 150 mil, foras as horas de voo. Só com os tripulantes, piloto e co-piloto, vai mais de R$ 90 mil por mês, o que inclui treinamentos, uniformes, salários etc”, contou o diretor da Avantto, que tem bases em São Paulo (Aeroporto de Congonhas) e no Rio de Janeiro (Aeroporto de Jacarepaguá).

A cota da empresa para helicóptero Airbus H120 Colibri, dividida entre 20 cotistas, custa US$ 80 mil (R$ 419,7 mil), com mensalidade de R$ 10 mil mais R$ 2,5 mil por hora de voo.

Rogério Andrade, CEO da Avantto
Rogério Andrade, CEO da Avantto
Foto: Divulgação Avantto

 

“A legislação permite a inserção de mais cotistas por aeronave, mas limitamos esse número para oferecer maior flexibilidade aos cotistas e mais tempo de voo”, contou Andrade. “O cotista pode solicitar o avião com 24 horas de antecedência e os helicópteros, com seis horas.”

“Quando um cliente contrata a Avantto, ele tem acesso a toda nossas escalas de consumo. Como temos uma grande frota de aeronaves, eu consigo negociar um combustível mais barato, faço contratos de seguro e de manutenção mais baratos, e assim por diante. Eu devolvo ao cliente esse benefício financeiro que a Avantto ganha em escala”, acrescentou Andrade.

Ainda tá caro?

Que tal um avião mais barato que um automóvel ou uma motocicleta? A Magnólia Cubs, de Araraquara (SP), tem cotas de aviões a partir de R$ 33 mil. Por esse preço é possível adquirir a fração um Piper PA-18, clássico monomotor para dois ocupantes.

“A empresa nasceu com o objetivo de aumentar o acesso à aviação desportiva. É muito caro comprar um avião e manter ele em ordem. Muitas vezes, quem compra um avião para se divertir acaba não usufruindo como gostaria, mas todo mês paga uma conta alta. É muito dinheiro para pouca utilização. A propriedade compartilhada resolve essa questão. O usuário tem um custo relativamente baixo, e o avião fica mais tempo voando”, contou Alexandre Barros, que fundou a empresa em janeiro de 2020.

Diferentemente da Avantto, cujos clientes usam as aeronaves em voos a trabalho e lazer, os cotistas dos aviões da Magnólia Cubs são pilotos em busca de diversão. O PA-18, por exemplo, é um modelo experimental, um tipo de aeronave de construção simples e com uma série de limitações operacionais. Aviões assim não podem voar sobre grandes cidades nem realizar atividades comerciais. “É um avião raiz”, brincou Barros.

A psicóloga Maria Luiza Mellito Sampaio Goes e seu marido têm cota de um PA-18, dividida com outros dois usuários. “Costumamos voar entre duas e três vezes por mês. Gostamos de viajar para o litoral norte de São Paulo, é um voo muito bonito pela Serra do Mar. Eu meu marido, que também é piloto, já voamos até o Rio Grande do Sul, revezando o comando do avião. É só marcar o voo, pegar o avião em Araraquara e depois devolver. O Alexandre (fundador da Magnólia Cubs) cuida de tudo, e o avião está sempre impecável.”

A frota da Magnólia Cubs tem três aviões. São dois modelos esportivos, o PA-18 e um Bearhawk para dois ocupantes, em um modelo executivo bimotor pistão Beechcraft Baron. “Os cotistas do PA-18 pagam uma mensalidade de R$ 450, e o custo variável fica em torno de R$ 370 por hora de voo. A mensalidade do Baron custa R$ 3,5 mil, mais R$ 2,3 mil por hora de voo utilizada. Esse é um pouco mais caro por que os clientes não pilotam. Esse valor paga os nossos pilotos”, contou o fundador da empresa.

“É mais barato você ter a fração de um avião esportivo compartilhado do que comprar uma motocicleta Harley-Davidson”, comparou Barros. “O preço é o mesmo ou mais barato. Você escolhe se vai gastar seu dinheiro no chão ou voando.”

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