Tem que reabrir agora porque economia não resiste, diz assessor de Guedes

Para Guilherme Afif, apenas pessoas do grupo de risco devem ficar em casa e defende funcionamento dos shoppings durante 12 horas por dia

Pessoas caminham em rua comercial em São Paulo19/06/2020REUTERS/Amanda Perobelli
Pessoas caminham em rua comercial em São Paulo19/06/2020REUTERS/Amanda Perobelli foto-amanda-perobielli-reuters

Anna Russi,

do CNN Brasil Business, em Brasília*

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O assessor especial do Ministério da Economia Guilherme Afif afirmou, nesta segunda-feira (22), que é necessário fazer a reabertura agora porque a economia não resiste muito tempo ao isolamento social.

Ao participar de debate online promovido pela Câmara dos Deputados, ele pontuou que ficar em casa deve ser uma opção apenas para os que estão no grupo de risco para a infecção pelo coronavírus.

“Esse é o maior drama do governo agora. É uma decisão difícil de ser tomada. Mas a economia tem peso sim, porque a economia manda. As pessoas colocaram um entendimento de quem fala em economia não está pensando em vidas”, diz Afif. “O retorno ao trabalho tem que ser feito com responsabilidade, com as medidas preventivas. Não vamos deixar de abrir. O ideal é conscientizar a respeito das medidas sanitárias a serem tomadas.”

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Ele também disse ter “crítica severa” à política de governadores e governadores que querem abrir shoppings por apenas quatro horas ao dia, argumentando que os estabelecimentos com isso acabam concentrando o atendimento.

De acordo com Afif, os shoppings deveriam funcionar por 12 horas para com isso conseguirem implementar medidas de espaçamento para o vírus não se propagar.

Concentração de renda

Na visão de Afif, a concentração de renda no Brasil se deve, em grande parte, pela má distribuição dos recursos de financiamento. “No Brasil o sistema financeiro capta de todos mas empresta só para alguns. Se as micro e pequenas empresas são as que mais empregam, são também as que menos tem acesso a crédito”, observou. 

Afif destacou ainda que o problema “explodiu” na pandemia porque as micro e pequenas empresas não têm reservas para aguentar a crise.

“O dinheiro sai do bolso para a boca. Fica sem margem de negociação”, comentou. Ele pediu ajuda aos parlamentares presentes na reunião virtual para pressionar estados e municípios a prorrogarem por mais três meses o pagamento de impostos para a categoria empresarial.

A expectativa da equipe econômica, de acordo com ele, é de que os recursos liberados pelo Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) cheguem a ponta, ou seja, aos empresários que necessitam do dinheiro, na próxima semana. “A lentidão é grande, mas acredito que no mais tardar semana que vem o crédito começa a chegar na ponta”, destacou. 

Crédito 

Sobre o Pronampe, programa do governo de garantia para crédito a micro e pequenas empresas, Afif afirmou que os cinco grandes bancos brasileiros – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco e Santander – começaram a operar no âmbito do programa, mas que a lentidão na concessão de financiamentos “é grande no sistema”.

Ele estimou que nessa semana ou na próxima o dinheiro começará a chegar na ponta.

Também presente no debate, o deputado Efraim Filho (DEM-PB) deu pistas de mudanças que devem ser implementadas no Congresso sobre outra ação do governo, a Medida Provisória (MP) que abre caminho para aporte de até 20 bilhões de reais do Tesouro no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A iniciativa, que é voltada às pequenas e médias empresas, prevê a garantia do governo de parte dos empréstimos feitos por bancos a esses negócios, numa proporção mais baixa que no Pronampe.

Efraim ressaltou que a ideia é que sejam liberados 80 bilhões de reais em empréstimos no total. O deputado, que é relator da MP, disse querer alongar o prazo de pagamento dos empréstimos para até 60 meses, e também aumentar a carência para o primeiro pagamento para 12 meses.

(*com informações da Reuters)

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