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    Teremos um ‘novo normal’ após a Covid-19, diz co-fundadora do Nubank

    No pós-pandemia, Cristina Junqueira aposta no fortalecimento da digitalização em todos os negócios e na redução do pagamento em espécie

    Cristina Junqueira, co-fundadora do Nubank, acredita em empresas mais digitais nos pós-crise 
    Cristina Junqueira, co-fundadora do Nubank, acredita em empresas mais digitais nos pós-crise  Foto: Divulgação

    Luís Lima,

    do CNN Brasil Business, em São Paulo

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    Quando captou US$ 400 milhões na última rodada de investimentos, em julho de 2019, o Nubank nem sonhava que enfrentaria uma das maiores crises econômicas globais, catalisada por uma pandemia. Em meio às incertezas da Covid-19, o maior banco digital do mundo ocupa uma posição um pouco mais privilegiada que outras tantas fintechs, que têm sentido os golpes da crise.

    No último mês, por exemplo, o Nubank contratou 138 funcionários e teve R$ 9,5 bilhões em depósitos na conta digital de pessoa física. Já a média diária de novos usuários – alcançada em meados de 2019 e que se estendeu a 2020, soma pouco mais de 40 mil clientes.

    Embora tenha conseguido manter resultados positivos, mesmo diante uma das piores crises da atualidade, Cristina Junqueira, co-fundadora do banco digital, afirma que haverá um novo jeito de fazer negócios no pós-pandemia.

    “Não voltaremos ao que era antes da crise. (…) Haverá um ‘novo normal’, um futuro diferente. As relações de trabalho mudarão”, disse em entrevista ao CNN Brasil Business. “Se pudéssemos apertar o botão e acelerar o tempo para olhar, para daqui seis meses, ou um ano, o mundo será, de fato, bem diferente do que era antes”, acrescenta. 

    Entre as mudanças potenciais, Junqueira cita um processo de digitalização acentuado, em todos os setores, e uma redução de pagamentos com dinheiro em espécie, comportamento que já vinha sendo observado no pré-pandemia.

    No caso do Nubank, menos exposto à crise do que outras empresas menos capitalizadas, o momento atual é de reavaliar prioridades. Todas as decisões neste momento, diz a executiva, são tomadas por “uma outra lente”. “A primeira prioridade é a continuidade dos negócios. Garantir que a empresa está bem, que continuamos atendendo nossos 23 milhões de clientes, ou mais, com a mesma qualidade que sempre tivemos. Além disso, prioridade é a saúde e segurança dos funcionários”, avalia. 

    A analogia utilizada por ela é a da máscara de oxigênio: primeiro é preciso vesti-la nos funcionários, para que eles tenham condições adequadas de trabalho para ajudar os clientes.

    Na contramão da crise

    O cenário para as fintechs brasileiras não é tão promissor. Se até 2019 as financeiras de tecnologia surfavam em aportes milionários e mantinham altas perspectivas de crescimento, hoje, o objetivo é sobreviver.

    É o que mostra um relatório desenvolvido pelo Morgan Stanley. Segundo o analista Jorge Kuri, sem recursos de venture capital, poucas conseguirão crescer ou continuar. De acordo com a análise, empresas que não tiverem fundos para se manter de seis a 12 meses devem enfrentar muita instabilidade para sobreviver. Isso porque, diante da pandemia, haverá um cenário de três a seis meses de entraves – e uma lenta recuperação, que pode demorar até 18 meses para ocorrer. 

    Diante deste cenário desafiador, Junqueira admite que “ainda é muito cedo” para reavaliar metas e investimentos, mas que, certamente, a projeção inicial, do pré-pandemia, “será muito diferente da realidade”. “Essa certeza nós temos. Agora, exatamente como vai se materializar, é muito difícil (estimar).”

    E, por mais que admita uma possível alta da inadimplência no mercado – e para o Nubank – algo comum em períodos de crise, Junqueira diz que ainda não viu isso se materializar de uma maneira “tangível, mensurável”.

    Segundo a análise do Morgan Stanley, mesmo empresas grandes e já estabelecidas – com caixa e balanços fortalecidos – terão seus modelos de negócios “testados” na crise. Entre as companhias mais focadas em crédito, o levantamento cita como exemplos Nubank, Creditas e Banco Inter.

    Foco em gestão e novos produtos

    Questionada sobre demissões em massa, prática que tem se tornado comum em outros setores para aliviar o capital de giro, Junqueira afirma que essa não é, definitivamente, uma possibilidade para o Nubank. “Viramos 2019 com mais de R$ 13 bilhões em caixa. (…) Demissão em massa foi algo que nem foi colocado à mesa em momento nenhum.”

    Prova disso é que o banco digital segue contratando e treinando os funcionários à distância. São mais de 2.400 funcionários, distribuídos em escritórios em São Paulo, Berlim, Cidade do México e Buenos Aires, que trabalham em esquema home office desde 12 de março, um dia após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia global pelo novo coronavírus. 

    Para dar celeridade às ações anti-crise, os investimentos da fintech seguem intactos. “O grosso dos nosso investimentos é para construir novas funcionalidades e produtos. Isso tudo continua 100%, a velocidade máxima. Está todo mundo trabalhando o tempo todo nisso”, afirma Junqueira. 

    Tendo isso em foco, o banco lançou um fundo de R$ 20 milhões para financiar serviços a clientes, desde consultas médicas a pedidos de supermercados. Para viabilizar a ação, decidiu reduzir custos e procrastinar o investimento em marketing. “Até porque tem limite do que se dá para fazer em termos de publicidade neste contexto. As pessoas não estão nesse clima. Corre o risco até de a empresa receber uma crítica, devida até, de falarem: ‘poxa, a empresa não tem noção do momento que passamos’”, justifica a executiva.

    Entre outras ações, o Nubank também anunciou a renegociação de empréstimos com 60 dias de carência e uma opção de parcelamento da fatura em até 12 vezes com juros de 1,9% ao mês.

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