Tereza Cristina diz que não há risco para abastecimento e que seguirá no governo

Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento diz que problemas foram superados, mas que a pasta monitora diariamente a distribuição de alimentos

Da CNN, em São Paulo

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A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina (DEM), afirmou na noite desta quinta-feira (30), em entrevista exclusiva à CNN, que os “problemas foram superados” e que não há risco de desabastecimento no país diante da pandemia do novo coronavírus.

“Não temos nenhum problema que nos leve a pensar em qualquer dificuldade com abastecimento no Brasil”, disse. Apesar dessa avaliação, a ministra afirmou que a pasta faz “acompanhamento diuturno” da situação, com foco especial para a questão de logística, na distribuição dos alimentos pelo país.

Tereza Cristina voltou a defender uma política especial de apoio ao setor sucroalcooleiro, que, segundo ela, está sendo afetado neste momento pela pandemia e pela crise global no preço do petróleo. A ministra cobrou que o governo dê uma “sinalização” ao setor sobre a questão, que, segundo ela, está sendo discutida com os ministros da Economia, Paulo Guedes, e de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

“Temos que dizer o que podemos e o que não podemos fazer para que esse setor tenha previsibilidade”, disse. “O planejamento já está atrasado. Nós temos que dar essa resposta urgente”, cobrou. O setor, segundo ela, quer benefícios em relação à dois tributos, a Cide e o PIS/Cofins, mas não detalhou como isso se daria.

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China

Tereza Cristina negou as especulações crescentes nos bastidores de que está descontente e gostaria de deixar o cargo. Ela permanecerá enquanto esta for a vontade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas admitiu que “às vezes a gente discorda de posicionamentos públicos”.

Recentemente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, entrou em conflito com representantes da China após compartilhar publicações que responsabilizam o país asiático pela pandemia do novo coronavírus.

Também o ministro da Educação, Abraham Weintraub, se envolveu em uma crise semelhante. Weintraub viu ser aberto contra si, perante ao Supremo Tribunal Federal (STF), um inquérito para apurar um possível crime de racismo que teria ocorrido em uma publicação com ironias de linguagem a respeito do país.

Apesar de dizer que “nunca fez críticas a ninguém”, a ministra Tereza Cristina reafirmou que o Brasil deve cultivar uma boa relação com a China. Ela alega que o país asiático é o principal parceiro comercial dos produtores brasileiros e que, portanto, um desentendimento poderia prejudicar as exportações.

“Nós temos uma vocação agrícola e a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Eu não poderia deixar de externar isso para dentro e para fora do governo. Os números estão aí, eles falam por essa minha posição”. 

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