Tesouro Direto: saiba o que é, como funciona e o que fazer para investir

Títulos públicos permitem aplicações de valores baixos, tornando-se mais acessíveis

Foto: Lorenzo Cafaro / Getty Images

Wesley Santanacolaboração para o CNN Brasil Business

em São Paulo

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Uma das opções procuradas por quem não quer correr muito risco nos investimentos é o Tesouro Direto. Além de serem considerados seguros, os títulos públicos permitem aplicações de valores baixos, tornando-se mais acessíveis.

Mas o que é exatamente o Tesouro Direto? Quais são os tipos de título? Como investir? Tire essa e outras dúvidas a seguir:

O que é o Tesouro Direto?

Criado em 2002, o Tesouro Direto foi desenvolvido pelo governo federal para captar recursos e financiar as dívidas públicas. Sob gestão do Tesouro Nacional, ele se assemelha a uma operação de crédito pessoal, em que uma pessoa física ou jurídica empresta dinheiro ao governo em troca de um rendimento futuro.

Nos últimos anos, esse tipo de investimento tem crescido entre a população, especialmente pela facilidade em se aplicar e pelo baixo risco de crédito. Na operação, o investidor compra um título público por um preço e, tempos depois, recebe aquela mesma importância acrescida de juros.

Ao emitir um título de crédito, o Tesouro Direto define o valor de cada unidade, a remuneração a ser paga por ela e a data de vencimento. Atualmente, há opções a partir de R$ 30, que contam com valorização anual de 11% e pagamento para 2024.

Quais são os tipos de título do Tesouro Direto?

Os títulos do Tesouro Direto estão enquadrados na modalidade de renda fixa, o que garante um retorno superior ao que foi investido, quando resgatado na data do vencimento. Existem três tipos de título: prefixado, pós fixado e híbrido:

  • Títulos prefixados: têm uma taxa de juro fixa, definida ainda na aplicação, o que permite ao investidor saber quanto vai receber no vencimento. Exemplo: 10% ao ano.
  • Pós fixado: também chamados de Tesouro Selic, têm rendimento proporcional à taxa básica de juros, portanto, contam com variação ao longo do tempo. Exemplo: Selic + 0,5% ao ano.
  • Híbridos (IPCA+): são corrigidos pelo resultado da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, e carregam alguma porcentagem adicional para garantir uma remuneração maior do que a taxa inflacionária. Exemplo: IPCA + 5% ao ano.

Qual é o melhor título do Tesouro Direto?

Isso pode variar conforme a necessidade de cada investidor, explica Guilherme Dultra, diretor de finanças pessoais da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Ele destaca que, para chegar à melhor opção, é preciso definir o prazo em que se pode deixar o dinheiro, considerando que o preferível é só retirá-lo no vencimento.

Depois disso, é importante avaliar as remunerações e ponderar qual é a mais vantajosa. Normalmente, segundo ele, quanto maior o prazo de pagamento, maior é o prêmio oferecido.

“Nos prefixados você sabe exatamente quanto vai receber de retorno, desde que faça o resgate no vencimento. Nos pós-fixados, você conhece os critérios de remuneração, mas só sabe o retorno total no final, uma vez que estão atrelados a um indexador. Já os títulos híbridos têm parte da remuneração definida na compra e o restante está atrelado à inflação”, ressalta.

Como investir no Tesouro Direto?

Para aplicar no Tesouro Direto, o interessado precisa ter CPF em situação regular, além de cadastro em um banco ou corretora de investimentos. Inicialmente, no caso de quem nunca investiu, é necessário responder um questionário que indica se o perfil do investidor é aderente àquele produto.

Depois disso, é preciso acessar a tela de investimentos do aplicativo financeiro e escolher uma das opções, de acordo com o valor, a remuneração e a data de vencimento. Há bancos oferecem essa aplicação de forma gratuita, sem cobrar taxa. No site do Tesouro Nacional, há uma lista com todas as instituições habilitadas.

Quando vence, o valor é depositado na mesma conta em que foi feito o aporte, já com os devidos acréscimos. O Tesouro Nacional também garante o resgate antecipado do título, considerando a variação do mercado no dia da solicitação.

Quando vale a pena investir no Tesouro Direto?

Em geral, o Tesouro Direto pode ficar mais atraente quando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e a Selic estão elevados. Isso faz com que a remuneração desses investimentos fique melhor.

Dá para ter prejuízo com o Tesouro Direto?

Assim como alguns outros produtos de renda fixa, os investimentos em Tesouro Direto têm liquidez diária, ou seja, podem ser sacados a qualquer momento. No entanto, conforme alerta Dultra, o resgate antecipado dos títulos públicos pode gerar prejuízo ao investidor, tendo em vista que eles seguem uma variação do mercado.

O principal fator para essa flutuação é o preço dos contratos futuros negociados na B3, a bolsa de valores do Brasil. “Se na bolsa os investidores acreditam que a Selic em dois anos vai subir 9%, um título do Tesouro já negociado, que prevê juro fixo de 6% também em dois anos, fica menos interessante e perde o valor”, explica. Neste caso, antes do prazo, o valor do papel pode ficar menor que o investido.

Qual a diferença entre CDB e Tesouro Direto?

De forma geral, tanto o CDB quanto o Tesouro Direto são operações de renda fixa que envolvem a compra e a venda de títulos de crédito como forma de captar recursos no mercado. Em termos de remuneração, as duas modalidades possuem características parecidas.

Há, no entanto, dois detalhes que diferem esses produtos. O primeiro é a emissão: o Tesouro Direto é emitido pelo governo, enquanto o CDB é emitido por instituições financeiras privadas. A outra diferença é o risco de crédito: o título público carrega o menor índice de risco, ao passo que no privado isso varia de acordo com o banco emissor, por isso ele conta com proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Tesouro Direto tem cobertura do FGC?

Os títulos públicos não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), como acontece em outras modalidades de renda fixa. Contudo, eles são garantidos pelo Tesouro Nacional, que nunca deu calote, sendo considerado um dos investimentos mais seguros. Mesmo em caso de falência da instituição financeira que intermediou a aplicação, os títulos não são impactados por estarem registrados no CPF de quem os comprou.

Tesouro Direto tem taxas?

Segundo a legislação, os títulos públicos podem sofrer incidência de três taxas, que mudam conforme o tempo e o valor aplicado. O primeiro encargo, chamado de taxa de custódia, é de 0,2% ao ano e incide sobre os ganhos que superam R$ 10 mil. Ele é descontado pela B3, semestralmente, para cobrir os custos operacionais da bolsa.

A segunda taxação ocorre pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos resgates realizados em até um mês após a aplicação. Ele segue uma tabela regressiva que tributa de 96% a 3% do rendimento em 30 dias. Após esse período, os lucros ficam isentos de IOF.

Além disso, independente do valor, há cobrança de Imposto de Renda direto na fonte sobre os proventos, em uma alíquota também regressiva que vai de 22,5% a 15%, conforme tabela abaixo:

Como simular um investimento no Tesouro Direto?

O site oficial do Tesouro Direto oferece uma calculadora financeira que simula a rentabilidade e a evolução da aplicação com base em um depósito único ou em aportes mensais. O acesso à ferramenta pode ser feito na barra superior do site, clicando no link “Simulador”, depois em “Simule os títulos”.

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