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    Trump falhou na pandemia? Para 55% dos CEOs dos EUA, sim – e eles apoiam Biden

    Muitos CEOs desejam uma nova liderança na Casa Branca, embora Trump esteja prometendo mais quatro anos de impostos baixos e regulamentações leves

    Donald Trump e Joe Biden durante debate em Cleveland
    Donald Trump e Joe Biden durante debate em Cleveland Foto: Morry Gash - 30.set.2020 / Reuters

    Matt Egan,

    do CNN Business, em Nova York

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    O presidente Donald Trump diz que merece uma nota “A+” pela forma como lidou com a pandemia do coronavírus. Já a América corporativa diz que ele merece uma nota baixa.

    Cinquenta e cinco por cento dos CEOs e outros líderes empresariais dos Estados Unidos dão a Trump uma nota  “F” pela resposta de seu governo  à Covid-19, de acordo com uma pesquisa feita pela Yale School of Management. Outros 12% dizem que Trump merece um “D”.

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    Apenas 6% dos participantes do CEO Caucus do Instituto de Liderança Executiva de Yale deram nota “A” para Trump por sua atuação na pandemia.

    Muitos CEOs desejam uma nova liderança na Casa Branca, embora Trump esteja prometendo mais quatro anos de impostos baixos e regulamentações leves – políticas que os executivos frequentemente desejam.

    Surpreendentes 77% dos líderes empresariais consultados por Yale dizem que planejam votar em Joe Biden em vez de Trump na eleição de novembro, apesar das propostas do candidato democrata de aumentar as alíquotas de impostos tanto para empresas quanto para famílias de alta renda.

    As descobertas sugerem que o apoio de Trump dentro da comunidade empresarial está diminuindo após anos de partidarismo amargo.

    “Os CEOs não gostam de divisão. Seus trabalhos são mais fáceis se eles não têm uma nação, uma força de trabalho e seus clientes divididos”, afirmou Jeffrey Sonnenfeld, reitor associado sênior de estudos de liderança em Yale, à CNN Business.

    Embora os CEOs tenham “medo de falar abertamente” algo contra Trump, Sonnenfeld disse que o farão de forma privada e coletiva. O encontro de Yale contou com dezenas de líderes do mundo corporativo, incluindo os chefes da General Motors, IBM, Caterpillar, Harley-Davidson, Johnson & Johnson e Goodyear.

    Em resposta à pesquisa de Yale, o diretor de comunicações da campanha de Trump à reeleição, Tim Murtaugh, afirmou em um comunicado: “O presidente Trump mobilizou um esforço sem precedentes do governo e do setor privado para combater o vírus e transmitiu calma a cada passo para evitar o pânico público”.

    84% dizem que a resposta piorou tudo

    Primeiro CEO a concorrer à Casa Branca ao disputar as eleições em 2015, Trump rapidamente promulgou uma agenda pró-negócios destacada por enormes cortes de impostos corporativos e uma guerra contra a regulamentação. 

    No entanto, os líderes empresariais estão mais preocupados com os aspectos menos favoráveis aos negócios da era Trump: as guerras comerciais e uma pandemia que mergulhou os Estados Unidos na recessão.

    Os CEOs não estão apenas chateados porque o governo Trump não fez mais para limitar a pandemia. Na verdade, eles temem que o governo tenha piorado as coisas.

    De acordo com a pesquisa, 84% dos líderes empresariais acham que a resposta do governo Trump à crise prejudicou e não ajudou seus negócios. E 86% disseram que o número de 200 mil mortes por Covid-19 nos Estados Unidos poderia ter sido “muito menor” com uma resposta governamental mais vigorosa.

    Os Estados Unidos respondem por mais de 20% das mais de 1 milhão de pessoas que morreram em todo o mundo devido à Covid-19, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

    Dúvidas sobre acordo com China

    Em relação aos acordos comerciais, 62% dos executivos disseram que seus negócios sofreram com práticas comerciais desleais na China. No entanto, uma porcentagem maior (78%) afirma que as políticas do governo Trump pioraram as relações entre norte-americanos e chineses.

    Trump impôs tarifas sobre centenas de bilhões de exportações de China para levar a segunda maior economia do mundo a uma reforma de suas táticas comerciais. As duas nações chegaram à Fase Um de um acordo comercial no final de 2019.

    Ainda assim, a China não está cumprindo sua promessa para aumentar as compras de bens dos EUA, especialmente produtos agrícolas e de energia. Apenas 21% dos líderes empresariais disseram que o acordo da Fase Um impactou positivamente seus negócios.

    O ceticismo sobre Trump também é evidente nas doações de campanha.

    Os investidores de Wall Street enviaram quase cinco vezes mais dinheiro para Biden do que para Trump, de acordo com a organização OpenSecrets. Trump está perdendo a corrida de arrecadação de fundos entre os investidores de Wall Street em uma magnitude maior do que em 2016 e do aconteceu com o senador John McCain em 2008. Em 2012, o indicado do Partido Republicano, Mitt Romney, um ex-executivo de private equity, triplicou a arrecadação de fundos nesse setor em comparação com os valores arrecadados pelo presidente Obama.

    Trump defendeu repetidamente a forma como seu governo lidou com a pandemia, apontando para o alto volume de testes para o coronavírus e os esforços para desenvolver rapidamente uma vacina.

    “Um tremendo progresso está sendo feito”, disse Trump durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira (28). “Estamos virando a página. E, é muito importante dizer, as vacinas estão chegando, mas estamos virando a página de qualquer maneira”.

    Na semana passada, Trump sugeriu que seu problema é principalmente de comunicação.

    “Fizemos um trabalho fenomenal. Não apenas um bom trabalho, mas um trabalho fenomenal”, falou Trump à Fox News. “Exceto em relações públicas, mas isso por causa de notícias falsas. Em relações públicas, eu me dou um D. No trabalho em si, nós temos um A +”.

    A resposta do governo criou ‘confusão’

    Durante a cúpula dos CEOs de Yale, David Shulkin, o primeiro secretário de Assuntos de Veteranos de Trump, que deixou o cargo em 2018, expressou desânimo com a forma como o governo federal lidou com a pandemia.

    “Nós não apenas falhamos no início na capacidade de estarmos preparados na cadeia de suprimentos e nos recursos de diagnóstico”, contou Shulkin, “mas nossa maior falha é a consistência da mensagem e confusão que estamos criando no público”.

    Shulkin acrescentou que o ceticismo público sobre uma possível vacina contra a Covid-19 “é um reflexo do fracasso em ter uma estratégia nacional, de ter uma mensagem consistente entre nossa liderança”.

    O CEO da Pfizer (PFE), Albert Bourla, cuja empresa está desenvolvendo uma vacina, exortou a comunidade empresarial a preencher o vazio deixado pela falta de confiança no governo.

    “As empresas precisam dar um passo à frente e externar sua voz, porque as pessoas estão confusas nesse momento”, afirmou Bourla durante o evento de Yale. “Elas não sabem no que ou em quem acreditar.”

    (Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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