Usaflex quer superar imagem de ‘sapato de vovó’ e se prepara para IPO em 2023

As metas para 2023 são ambiciosas: chegar a R$ 1 bilhão em receita, aumentar o número de franquias no Brasil e crescer ainda mais internacionalmente

Foto: Usaflex/Divulgação

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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A Usaflex, uma empresa de calçados de 23 anos, quer deixar de vez a visão do público de que seus sapatos são “coisa de vovó” e anuncia para a nova geração: em breve, pretende abrir capital na Bolsa de valores e tornar-se uma empresa pública. A previsão para o IPO, ou Oferta Pública Inicial, é 2023.

“Passamos por uma grande mudança de produtos, sem perder o principal que é conforto, mas estamos captando cada vez mais o público jovem e expandindo mundialmente”, diz Sergio Bocayuva, CEO da Usaflex. 

Além do IPO, as metas para 2023 são ambiciosas: chegar a R$ 1 bilhão em receita, aumentar o número de franquias no Brasil de 240 para 430 e crescer ainda mais internacionalmente. Até o momento, a companhia tem 15 unidades em outros países –como Bolívia, Equador, Honduras, Costa Rica, El Salvador,  Kuwait e Israel– e o objetivo é chegar a 100 nos próximos três anos.

Além das franquias, a Usaflex tem, no Brasil, mais de 7.000 pontos de venda e outros 1.000 pontos em outros países. Outra forma de ataque da calçadista é vender seus calçados na Amazon nos Estados Unidos e pelo e-commerce, que representa 6% das vendas totais da companhia.

Segundo Bocayuva, “outros ativos” deverão ser comprados nos próximos dois anos para fortalecer ainda mais a companhia. 

Por que 2023?

Bocayuva afirma que a empresa já “foi muito sondada pelo mercado” por conta dos números que apresenta.

Desde 2016, quando o fundo de investimentos Axxon Group comprou 70% da Usaflex, o faturamento da empresa foi de R$ 280 milhões para R$ 390 milhões. Isso tudo levou o Ebtida a um crescimento de cerca de 132%, saltando de R$ 25 milhões para R$ 58 milhões —para 2023, a Usaflex mira um Ebtida de R$ 200 milhões.

“O mercado queria que a gente fizesse o IPO no ano passado, mas entendemos que não era o período ideal, exatamente pela oportunidade de captação de valor”, diz. 

E por que 2023 pode ser o momento ideal? Para Bocayuva, o motivo é o “plantar para colher depois” — esperar mais dois ou três anos pode levar a empresa a uma captação de resultados muito maior do que a que eles conseguiriam em 2020. Ao todo, os investimentos da companhia estão na casa dos R$ 13 milhões. “Estamos em um momento de expansão”, diz. 

Quando menos é mais

Desde 2019, quando Bocayuva assumiu o controle, a Usaflex tem tentado mudar a imagem da marca para alcançar um público mais jovem. Antes disso, 75% do público consumidor era de mulheres de renda média elevada e acima de 40 anos.

“O que fizemos, com a experiência das franquias e do digital, foi capturar cada vez mais os mais jovens. O número, que antes era de 75%, hoje é de 50%. E consigo capturar um público muito forte de até 25 anos”, afirma.

Para isso, foi preciso gastar. Bocayuva conta que, antes de assumir a posição de CEO, a Usaflex gastava cerca de R$ 3 milhões e, hoje, gasta em torno de R$ 20 milhões em mídia e publicidade, com ações para “mostrar a transformação da marca”.

“A comunicação é um alicerce importante de transformação de uma marca de produtos para senhoras para um produto que, cada vez mais, tem moda, sem ser ‘fast fashion’, e sem perder o conforto”, diz. 

Além disso, anteriormente, tinham 46 mil modelos de sapatos ao ano. Hoje, são 4.200 sapatos e o faturamento cresceu mais de 50% desde 2019.

“O problema não é a quantidade de sapatos, o problema é a qualificação e a assertividade dos modelos”, conclui. 

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