Vale investe US$ 185 mi para produzir novo aglomerado de minério menos poluente

Segunda a Vale, o novo aglomerado de minério é capaz de reduzir em 10% a emissão de gases do efeito estufa no processo de produção de aço

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Bruno Villas Bôas, do Estadão Conteúdo

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A Vale vai investir US$ 185 milhões nos próximos dois anos para produzir um novo aglomerado de minério de ferro, chamado de “briquete verde”, capaz de reduzir em 10% a emissão de gases do efeito estufa no processo de produção de aço. A mineradora quer iniciar a produção em três plantas em 2023, com capacidade de 7 milhões de toneladas por ano.

O aglomerado é feito de minério de ferro com uma solução tecnológica que inclui a areia do tratamento de rejeitos da mineração. O novo produto torna desnecessária uma das etapas da produção do aço, a chamada sinterização.

Nela, o fino de minério é aglomerado a uma temperatura de 1.300ºC, com uso intensivo de combustíveis fósseis para gerar calor. Sem a etapa, a emissão de CO2 é reduzida.

Segundo a Vale, o produto reduz ainda a emissão de particulados e de gases como dióxido de enxofre e óxido de nitrogênio, além de dispensar o uso da água na sua produção.

A tecnologia levou quase 20 anos para ser desenvolvida. “O briquete verde vai revolucionar o processo de produção do aço”, diz Marcelo Spinelli, vice-presidente executivo de ferrosos da Vale.

O “briquete verde” será produzido em três plantas: nas usinas 1 e 2 de pelotização na unidade de Tubarão, em Vitória (ES), que serão convertidas; e em uma planta a ser construída no Complexo de Vargem Grande, em Minas Gerais.

As unidades vão produzir o aglomerado por meio das etapas de prensagem, mistura e secagem a 200ºC (temperatura inferior à do processo de sinterização).

Com a tendência global de descarbonização das cadeias de produção, as siderúrgicas têm demonstrado interesse pela tecnologia.

A Vale estima que, no longo prazo, tenha capacidade para produzir acima de 50 milhões de toneladas por ano de “briquete verde”, com um potencial de redução de emissão superior a 6 milhões de toneladas de carbono equivalente por ano.

A mineradora brasileira não detalha, porém, como pretende posicionar o preço do produto no mercado. Além de substituir o sinter na produção do aço, o “briquete verde” pode ser aplicado no alto-forno no lugar das pelotas de minério.

Com essa flexibilidade, a mineradora entende que o posicionamento do produto pode depender do tipo de uso escolhido pelos clientes.

O novo produto começou a ser desenvolvido pela Vale em 2004. Os primeiros testes industriais foram realizados em 2019, em um forno a carvão vegetal.

Em 2020, foi testado em forno a coque de grande escala. Durante anos, siderúrgicas tentaram desenvolver produto semelhante, sem sucesso – o aglomerado se desintegrava no alto-forno. A Vale já patenteou a tecnologia em 47 países.

O “briquete verde” faz parte da estratégia da Vale de reduzir em 15% as suas emissões de escopo 3, relativas à cadeia de valor, até 2035.

Em números absolutos, o compromisso de redução soma 90 milhões de toneladas de carbono equivalente (MtCO2e), volume igual às emissões de energia do Chile de 2018, ano-base usado na meta de escopo 3.

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