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    Valorização de commodities agrícolas pressiona custo de produção de aves e suínos

    Entretanto, setor suíno sente mais fortemente o impacto devido a redução das exportações, e desvalorização da proteína

    Criação de suínos em Carambeí (PR)
    Criação de suínos em Carambeí (PR) 06/09/2018REUTERS/Rodolfo Buhrer

    Elis Barretoda CNN

    no Rio de Janeiro

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    O custo de produção de aves e suínos já acumula altas de cerca de 8,84% e 9,13%, respectivamente, neste ano, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

    Entidades do setor e especialistas apontam que aumento se deve principalmente a alta de grãos como milho e soja, que são a base da alimentação dos animais e representam cerca de 70% dos gastos da produção.

    De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, além da guerra na Ucrânia que provocou altas no preço dos grãos, a falta de chuva na região Sul do país impactou negativamente a safra de verão, diminuindo a oferta dessas commodities no mercado interno.

    O efeito em cadeia desses aumentos é um gasto maior na produção dessas proteínas.

    “Todo esse aumento já chegou no produtor, principalmente no independente. O criador autônomo já está em muita dificuldade, em perigo mesmo. Com o conflito no leste europeu, os custos com exportação também aumentaram, por conta do impacto na cadeia logística e alta no preço do barril de petróleo.”, pontua Santin.

    O presidente da ABPA aponta ainda que gastos com embalagens também causam impacto no setor.

    Segundo ele, as embalagens de polímeros aumentaram cerca de 83% no valor, e as embalagens de papelão acumulam alta de 68% no preço.

    Apesar do crescimento nos gastos, a indústria suína tem encontrado dificuldades para repassar ou diluir os custos.

    O especialista Allan Maia, da consultoria Safras & Mercado, explica que há uma grande oferta da carne suína no mercado interno no momento, o que impede que o repasse de preços por conta da competitividade.

    “A crise na suinocultura nesse ano está muito forte, com risco de bastante quebra. No fim de 2018, o rebanho suíno da China quebrou por causa da peste suína africana, e houve muito investimento em outros mercados, incluindo no Brasil. Acontece que em 2019 e 2020, as exportações continuaram crescendo, e os investimentos na produção também. Então, a maturação do ciclo do suíno está chegando agora, no momento em que a China reduziu a demanda por essa proteína.” explica Maia.

    Segundo a Associação Brasileira de Criadores Suínos (ABCS), desde o início de 2021 o suinocultor contabiliza prejuízo na atividade e em 2022 a situação se agravou, chegando a uma perda estimada de quase R$ 3,00 por quilograma vivo vendido em algumas regiões.

    A ABCS aponta ainda que nos primeiros dois meses deste ano, o custo aumentou 76%, enquanto o preço de venda caiu 26%, na comparação com o mesmo período de 2021.

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