Vamos fazer nova rodada de programas de crédito, diz Guedes

Empresários já esperam o lançamento de uma linha de financiamento para médias e grandes empresas, que deverá ser operacionalizada pelo BNDES

O ministro da Economia Paulo Guedes durante a coletiva de 500 dias do governo
O ministro da Economia Paulo Guedes durante a coletiva de 500 dias do governo Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil (15.mai.2020)

Anna Russi,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Após reconhecer que as medidas de crédito já anunciadas pelo governo não estão sendo suficientes para socorrer as empresas brasileiras em meio ao avanço da pandemia da Covid-19, o ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu lançar uma nova “rodada” de programas de crédito. “Esse crédito é insuficiente e o desempenho não é satisfatório, claramente. Admitimos isso e estamos aperfeiçoando os programas. Vamos jogar uma nova rodada de programa de crédito”, disse.

Ele participou, nesta sexta-feira (29), de seminário virtual Gás para Desenvolvimento, promovido pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Sem dar mais detalhes do que será anunciado pela pasta, o ministro destacou que o BNDES estará à frente dos novos programas.

Vale destacar que, há algum tempo, os empresários já esperam o lançamento de uma linha de financiamento para médias e grandes empresas, que deverá ser operacionalizada pelo BNDES com o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI).

Embora admita que, em termos de crédito, o recurso não esteja chegando na ponta, o ministro explicou que a situação é um impasse entre o volume de demanda e oferta. “A verdade é que é importante entender que a oferta de crédito subiu bastante mas a demanda por crédito aumentou de forma explosiva. O capital de giro das empresas desapareceu, porque a economia travou. Quando todas as empresas têm queda de faturamento, é natural que falte capital de giro”, observou.

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Para ele, “da mesma forma que essa pandemia, por que a gente faça, deixará mortos, a taxa de mortalidade das empresa também subiu”. Na a visão dele, no entanto, não é possível salvar a saúde da população sem salvar a economia. “As duas asas são fundamentais  para o voo”, afirmou.

“Vírus veio de fora”

Guedes destacou ainda o “esforço muito grande” do governo para garantir os recursos à população durante a crise. “Temos enorme consideração pela população brasileira. Temos obrigação de lançar camadas de proteção”, comentou. Ele lembrou que o vírus da Covid-19 “veio de fora” e por isso não faz sentido “atacar” a atuação do governo.

“É cretino atacar o governo do seu próprio país em vez de ajudar o governo do seu próprio país num momento desses. Ninguém quer apoio a erros. Se erramos, nos critique. A mim não me afeta”, completou.

Em relação as tensões entre o Executivo e o Legislativo e Judiciário, o ministro acredita ser normal da democracia que os poderes “demarquem seus territórios”.  “É natural. Se um poder pisa no pé de outro, ele recebe um empurrão. Isso é natural. É da própria crise”, argumentou.

No entanto, Guedes defende que a “briga” aconteça somente após passada a crise. “Briga na margem. Se brigar no barco, o barco naufraga”, ponderou.

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