Veja dicas do que fazer para abrir um negócio próprio em 2022

Escolha implica em analisar concorrência, fazer um planejamento financeiro e de negócios e criar uma relação com prestadores de serviços

Mercado de trabalho
Mercado de trabalho Foto: Scott Graham / Unsplash

Davi Franzoncolaboração para o CNN Brasil Business

em São Paulo

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Quem está pensando em aproveitar o começo de ano para tirar do papel a ideia de abrir o próprio negócio deve lembrar que a decisão exige calma e preparação.

Essa escolha implica em analisar concorrência e o mercado, fazer um planejamento financeiro e de negócio, criar uma relação com prestadores de serviços e, principalmente, se preparar para não entrar para as estatísticas de encerramentos de CNPJs.

Para auxiliar quem está pensando em abrir um negócio, o CNN Business Brasil ouviu especialistas e reuniu dicas do que é preciso fazer. Confira:

Veja se realmente tem perfil para empreender

Antes de abrir um negócio próprio, é preciso confirmar se o seu perfil é de empreendedor. Essa autoanálise pode evitar a transformação do sonho do próprio negócio em um pesadelo.

“Com a pandemia de Covid-19, muita gente decidiu empreender após testemunhar o sucesso do vizinho. Isso é um erro. Ele pode ter o perfil de empreendedor e você, não”, alerta Silvia Machado, mentora financeira.

A dica, portanto, é ser sincero e analisar se você realmente se sentiria confortável com a responsabilidade de ter um negócio próprio e se está disposto a enfrentar esse desafio.

Identifique em qual área poderá abrir um negócio

Pense em qual é o seu principal ativo, ou seja, seu talento e em qual área poderia abrir um negócio.

Faça um plano de negócios

Com a ideia em mente, é hora de montar um plano de negócios, que é a base para qualquer projeto desse tipo, segundo o analista de negócios no Sebrae-SP Caio Ribeiro Monteiro.

O plano deve trazer uma análise aprofundada de possíveis fornecedores, clientes e concorrentes. Precisa incluir indicadores de rentabilidade e lucratividade, além de previsões com três cenários: otimista, pessimista e normal.

É a partir disso que será possível identificar o quanto será preciso para o investimento inicial, o volume de capital de giro e toda a estratégia para atrair clientes, como o plano de marketing.

“Investimento representa a compra de equipamentos, ferramentas, móveis, reformas e, em alguns casos, aquisição de softwares. A quantia destinada para cada item deve constar nesse plano de negócios”, explica.

“Explore tudo o que pode dar errado, pesquise cada item de um segmento, identifique o público, sonde os locais onde se deseja atuar, qual o fluxo, a renda dos moradores e de quem circula pela região. Tudo deve fazer parte do plano de negócios”, diz Silvia.

Veja se é a hora certa para o negócio

O futuro empresário também deve ficar atento para não cair nos modismos. “Temos os casos das paletas mexicanas, das brigaderias e tantos outros. O interessado passa por vários desses negócios e percebe que eles estão sempre lotados. Mas já é tarde quando ele abre o seu”, diz Silvia.

Escolher bem a equipe pode fazer diferença

Ter um bom time, seja ele com dez ou duas pessoas, é essencial para aumentar as chances de sucesso do negócio.

Também é preciso considerar os gastos e atenção que será necessária dar aos prestadores de serviço.

Lembre-se de considerar o período inicial dos negócios

Ribeiro lembra que todo projeto tem custos fixos e variáveis, independentemente da realização ou não de vendas. É preciso ter em mente que o período inicial de operação será para o posicionamento no mercado, ou seja, ficar conhecido pelo consumidor.

Dessa forma, dificilmente o negócio garantirá o pagamento de todas as contas da família do empreendedor logo no começo. “Nos primeiros três meses, você saberá se tem um público para, por exemplo, pagar R$ 10 ou R$ 30 em um hambúrguer. Neste período, o desafio é executar o planejamento e, na sequência, iniciar as primeiras vendas.”

Silvia lembra também que os gastos da família vão além dos negócios. “Há casos em que a pessoa tem uma reserva financeira e, ao dividir esse valor por mês, acredita que poderá se manter até o negócio engrenar. Mas não é bem assim”, diz.

“Você não é só seu salário. Você é o custo com assistência médica, vale-refeição, transporte e outras despesas. A primeira pergunta a ser respondida é: eu realmente tenho dinheiro para me manter nos primeiros meses de empreendedorismo?”

Separe as finanças

A gestão de um negócio exige uma separação total entre a vida financeira da pessoa física e a da jurídica. Ribeiro reforça que é preciso ter clareza dos gastos pessoais e não permitir uma interferência no caixa da empresa.

“Lembro sempre do seguinte caso: temos a empresa pobre com empreendedor rico e a empresa rica com empreendedor pobre. No segundo caso, a situação pode mudar com o tempo. Agora, por mais recursos que tenha, o primeiro empreendedor não conseguirá manter o negócio deficitário funcionando por muito tempo”.

Tenha tudo em contrato

Outro ponto importante é, nos projetos em sociedade, estipular tudo em contrato. Silvia afirma que para evitar brigas judicias nos momentos em que relação entre os sócios termina, ela sugere a indicação oficial do que pertence a cada parte.

“Isso vale para tudo, dos móveis até a máquina de café.  Tudo deve ser listado”.

Se optar por franquia, estude opções

A escolha por uma franquia também é uma opção para quem decide abrir o próprio negócio. De acordo com a ABF (Associação Brasileira de Franchising), o Brasil conta hoje com cerca de 2,5 mil opções de negócios nesse segmento, cujos valores para aquisição vão de R$ 5.000 a R$ 5 milhões.

Segundo o presidente da ABF, André Friedheim, a vantagem dessa modalidade é o acesso a informações e serviços que podem reduzir riscos. “O franqueado tem acesso a uma marca conhecida, a um know-how operacional, a fornecedores, a uma rede de negócios e a um plano de negócios mais elaborado. Isso representa risco zero? Claro que não”.

Porém, na avaliação de Friedheim, ao participar de uma rede, o investidor tem a possibilidade aprender com os erros e os acertos dos outros.

Ele sugere que, antes de assinar um contrato, o interessado faça também uma análise para saber se conseguirá seguir características básicas de um franqueado, que são seguir regras, padrões, abrir os números com o franqueador e trabalhar em rede.

Após essa avaliação, elencar dois ou três segmentos com os quais se tenha maior afinidade e, em seguida, realizar uma pesquisa detalhada sobre eles.  “Hoje, o candidato a franqueado tem diversas fontes de informações. Ele pode se cadastrar no site das empresas e solicitar números daquele segmento, onde é possível montar uma unidade, custos da estratégia de marketing e quais os canais de comunicação”, diz Friedheim.

Ele orienta a execução de uma avaliação cuidadosa do contrato e uma pesquisa com empresários que estão na rede e com aqueles que a deixaram.

Com relação à taxa de retorno, o presidente da ABF explica que há diversos fatores que podem influenciar nesse prazo, desde uma alta expressiva do dólar a um incidente que dificulte o acesso ao local onde se instalou um negócio. Ele diz que, no caso brasileiro, esse período pode variar de 24 a 36 meses.

“Esse prazo não constará em contrato. É impossível fazer esse tipo de previsão. Quem iniciou as atividades em 2019, por exemplo, teve um impacto direto da pandemia da Covid-19. Provavelmente esse período irá superar os 36 meses”.

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