WeWork: com pandemia, universitários se tornam inquilinos de coworking, diz CEO

Segundo Sandeep Mathrani, empresa negocia com cerca de 100 universidades em todo o mundo

Prédio do WeWork: com pandemia, universitários estão 
Prédio do WeWork: com pandemia, universitários estão  Foto: Eloise Ambursley/Unsplash

Kathryn Vasel,

CNN Business

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Há pouco mais de um ano, a controladora da WeWork, The We Company, pediu o registro para abrir o capital da empresa de coworking. Mas muita coisa aconteceu nos últimos 12 meses.

No ano passado, a WeWork estava ocupada tentando dissipar as preocupações dos investidores sobre sua estrutura de governança corporativa. O CEO deixou a empresa, ela adiou seu IPO e recebeu um socorro financeiro do conglomerado japonês SoftBank.

E então uma pandemia global chegou e sacudiu ainda mais a empresa.“Tivemos uma queda em abril e maio”, disse o CEO Sandeep Mathrani, que entrou na WeWork em fevereiro.

No entanto, segundo Mathrain, as empresas começaram a voltar à medida que buscam espaço para atender aos requisitos de distanciamento social e fornecer um lugar para os trabalhadores remotos trabalharem.

Então, o que vem por aí para WeWork? Veja o que Mathrani tem a dizer:

Como a Covid-19 mudou a forma como a WeWork faz negócios?

De forma irônica, a Covid-19 realmente trouxe para o primeiro plano o valor da flexibilidade. Fomos rapidamente capazes de tirar a densidade (ou “desdensificar”) das nossas áreas comuns, nossos salões, nosso espaço de escritório. Conseguimos fazer negócios rapidamente com as empresas por casa disso.

Durante a pandemia, mais especificamente em junho e julho, a atividade de aluguel foi quase igual à que tínhamos em fevereiro antes da Covid-19.

Se você olhar para todas as empresas de tecnologia, instituições bancárias, empresas de pesquisa, de mídia, todas operam em um ambiente muito denso. Essas companhias precisam diminuir a densidade do ambiente e uma solução – até que haja uma vacina – está em contar com uma empresa como a WeWork.

Quantas empresas cancelaram seus contratos com a WeWork como resultado da pandemia?

Empresas que eram pequenas e que tinha acordos de base mensal cancelaram suas associações.

Curiosamente, no mês de agosto, as pequenas se recuperaram com novos negócios e voltaram a quase 50% do volume de fevereiro, o que é bastante impressionante.

Você está oferecendo vantagens ou incentivos para motivar as pessoas a continuar ou renovar seus contratos de aluguel ou começar novos?

Para reconquistar aqueles que saíram, estamos oferecendo duas semanas de acesso ilimitado grátis para voltar ao escritório, e as pessoas podem usar qualquer um de nossos 800 endereços.

As instituições financeiras nos procuraram porque querem o programa All Acess ilimitado e pagam por 200 passes. Isso significa que há permissão para 200 pessoas usarem um WeWork, seja em Nova York, Londres ou em qualquer lugar do mundo. Quando 201 pessoas chegarem, a empresa pode escolher limitar a 200 pessoas mesmo ou pagar uma diária pela pessoa ou pessoas a mais.

Lançamos um segundo produto chamado Sob Demanda (On Demand), no qual você pode vir e alugar um escritório por hora, dia ou semana. Estamos testando isso em Nova York e, olha, está se saindo melhor do que nossas projeções.

Acho que a razão para isso é que muitas pessoas que querem deixar suas casas para dar um tempo teriam ido a um Starbucks ou a um café, que estão fechados para elas.

Que tipo de cliente está procurando alugar um espaço de escritório agora?

Há cerca de 75 a 90 dias, lançamos uma estratégia vertical chamada “We for Education”. Ela foi inspirada por uma escola particular de ensino médio em Nova York em busca de espaço para aliviar sua densidade. Isso nos levou a acreditar que havia um verdadeiro mercado com instituições de ensino. Falamos com universidades e fechamos muitos negócios com elas, o que é uma categoria completamente nova para nós. Acho que existem cerca de 100 universidades com as quais estamos negociando em todo o mundo.

A segunda nova vertical para nós são as ciências biológicas e médicas. Há uma explosão de investimentos nesse setor e, obviamente, a área de seus escritórios está se esgotando e eles também precisam mexer na densidade do espaço. Em mercados como o de Boston, esse é um foco central para nós.

Você está pensando em expandir para áreas mais periféricas se as pessoas estiverem procurando trabalhar mais perto de casa?

Algumas empresas olham para esta oportunidade para otimizar seu próprio portfólio de imóveis.

Não estamos ouvindo gente por aí dizendo: ‘Vamos fazer um modelo ‘hub and spoke’ [um hub distribuindo para vários centros] com os centros nos subúrbios’. Parece muito pouco natural. Aliás, já tentamos isso uma vez, com uma instituição financeira que nos pediu para procurar um local em Connecticut e outro em Long Island. Encontramos o local, mas eles não conseguiram uma adesão porque as pessoas disseram: ‘Por que eu deixaria minha casa maravilhosa com todas as comodidades? Por que ir a um escritório onde nenhum dos meus colegas vai estar, pois não fazem parte do mesmo centro? Não terei colaboração, inovação, posso conseguir um pouco de socialização, mas não vejo o propósito de fazer isso’.

Então vamos tentar fazer isso de forma seletiva, em alguns locais, para ver qual será a demanda. Estamos procurando um local em Connecticut, por exemplo.

Quais mudanças vocês fizeram nos espaços físicos para aderir aos protocolos de segurança?

Todas as nossas áreas comuns são completamente ‘desdensificadas’ com pelo menos 1,5 metro de separação entre as pessoas, mesmo em nossos sofás. Todas as mesas exclusivas são separadas em pelo menos 1,5 metro uma da outra. Melhoramos a limpeza e higienização. Mudamos todo o sistema de filtragem em todos os prédios com filtros HEPA.

De fato, é muito seguro entrar num ambiente e sentir que as pessoas são muito respeitosas. Numa área comum, todos usam máscaras. Esse é o nosso protocolo e as pessoas o seguem.

Quando o WeWork decidiu ficar totalmente remoto e como foi essa mudança?

Obviamente, mantivemos todos os nossos locais abertos durante os meses difíceis porque temos muitos serviços essenciais que as pessoas fornecem em nossos locais. Descobri isso quando tive a oportunidade de visitar nossas localidades:  pequenas empresas vinham todos os dias para receber suas correspondências. Não precisamos aumentar a equipe para um nível em que ficaríamos completamente lotados. O pessoal da área de comunidade ficou no escritório e, com exceção deles, trabalhávamos em casa.

Quando a cidade de Nova York reabriu, começamos a rotacionar 25% do nosso pessoal por semana. Depois do feriado do Dia do Trabalho (7 de setembro nos EUA), não direi que 100% das pessoas estão dentro, mas cerca de 75% das pessoas estão vindo para o escritório.

Foi muito estratégico. Queríamos mostrar às pessoas que era seguro entrar e ouvir o que eles tinham a dizer. Durante um mês, recebemos 25% das pessoas por semana. Daí, no segundo mês, 50% por semana e, após o Dia do Trabalho, fornecemos espaço para 100%, mas acho preenchemos cerca de 70%.

Qual foi a sua maior lição desde o início da pandemia?

A de aumentar a comunicação com a força de trabalho muito mais do que em tempos normais É preciso se preocupar com o estado mental das pessoas. Estão todos ficando cansados. É preciso respeitar o tempo das pessoas.

Não há fronteira entre casa e trabalho se você trabalha em casa. Descobrimos que muita gente se sentia mais exausta e se exaurindo. É preciso ser muito mais respeitoso. É preciso ser muito mais paciente. Tudo demora mais para ser feito. E acho que é necessário compaixão e uma mentalidade flexível.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

 

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