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    Eleições 2022

    Alta do Ibovespa é sinal de otimismo do mercado após 1º turno, dizem especialistas

    Congresso mais conservador alimentou otimismo em relação a contrapeso de medidas consideradas ruins para a economia e pode levar o ex-presidente Lula a sinalizar seu plano econômico antes do segundo turno

    Fabrício Juliãodo CNN Brasil Business

    em São Paulo

    O fim do primeiro turno das eleições deste ano trouxe alívio para o mercado financeiro brasileiro, o que refletiu na alta de 5,54% do Ibovespa nesta-segunda-feira (3), que encerrou o pregão cotado aos 116.134 pontos.

    Especialistas disseram ao CNN Brasil Business que os investidores viram com bons olhos os resultados eleitorais do dia anterior, principalmente a formação de um Congresso mais conservador que possa fazer contrapeso a possíveis medidas que seriam consideradas prejudiciais à economia.

    Para Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, uma disputa mais apertada no segundo turno pode fazer com que os candidatos passem a apresentar com mais clareza as pautas econômicas ao país, algo que o mercado vem prestando bastante atenção.

    “Os mercados têm reação bastante positiva após o resultado das eleições, tanto pela disputa mais acirrada como pelo congresso mais de centro-direita. Entre os ativos que tiveram valorização ao longo do dia, destaca-se a renda fixa, com significativa queda dos juros nominais e também dos juros reais, inclusive as taxas mais longas”, disse a economista.

    “A disputa mais acirrada deve trazer os candidatos mais para o centro com políticas mais moderadas, mantendo o arcabouço fiscal, ainda que com alguma flexibilização, o que pode permitir a consolidação da tendência de queda da inflação e, consequentemente, queda dos juros”, acrescentou.

    Já Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama, destacou o otimismo do mercado após as urnas atestarem um cenário diferente do que era previsto pelos institutos de pesquisa.

    “O mercado está fazendo uma leitura bastante adequada de ontem na minha opinião, até pela expectativa dos institutos de pesquisa que acabou não se confirmando. Um fato que impressionou foi a força da bancada relacionada ao bolsonarismo, com mais de 100 deputados do PL e outros de partidos de direita. Isso levou a um sentimento do mercado que, ainda que o Lula confirme o favoritismo e vença, será difícil passar medidas que seriam ruins para a economia”, pontuou.

    Outros fatores que contribuíram para a disposição a risco nesta segunda são a bolsa estar descontada e a leitura do Boletim Focus, que trouxe mais uma redução para o IPCA de 2022 e uma expectativa maior de crescimento do PIB brasileiro para este ano, que passou de 2,67% para 2,70%, e para 2023, que subiu de 0,5% para 0,53%.

    “São fatores que colaboram para o otimismo do mercado no pregão de hoje, alinhados ao sentimento de que o Congresso eleito pode ser positivo nos dois cenários de vitória no segundo turno na eleição presidencial”, acrescentou.

     

    Espírito Santo disse acreditar que o setor de infraestrutura deve ser o mais beneficiado no momento, pois qualquer que seja o próximo governo deve dar atenção especial às obras que precisam ser feitas. A Sabesp foi a grande beneficiada com as surpresas neste pregão, fechando com alta de 16,94% após o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) desbancar Rodrigo Garcia (PSDB) e ficar à frente de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo Estado de São Paulo.

    A visão sobre mais parlamentares conservadores eleitos, em contraposição ao que apontavam as pesquisas, terem tido um efeito positivo também é corroborada por Pedro Serra, chefe de pesquisas da Ativa Investimentos. Além disso, ele acredita que isso afasta o risco de guinada na agenda econômica, trazendo alívio para os investidores.

    “O resultado do primeiro turno mais apertado do que o esperado aumenta a possibilidade de reeleição do presidente ou de um Lula mais ao centro, podendo trazer uma equipe econômica mais responsável à questão fiscal, como o Meirelles, por exemplo, e, inclusive, podendo anunciar a sua equipe econômica antes do dia 30 de outubro”, afirmou.

    “De um modo geral, como já falávamos, o evento da eleição, por si só, era o que mais pesava na bolsa. Com um primeiro turno mais apertado e um legislativo que pode trazer mais equilíbrio numa eventual vitória de Lula, são afastados os riscos maiores à agenda econômica. Esperamos então que a percepção de risco se reduza bastante e a bolsa pode experimentar uma alta relevante nos próximos dias”, acrescentou.

    Samar Maziad, vice-presidente e analista sênior na Moody’s Investors Service, acredita que haverá uma disputa mais apertada que o esperado para a Presidência no segundo turno, além de ter sido formado um Congresso muito fragmentado para avançar com a agenda de reformas das políticas públicas.

    “Na nossa opinião, a retomada das reformas estruturais será fundamental para apoiar um crescimento maior no médio prazo e facilitar os esforços de consolidação fiscal, especialmente em um contexto de juros elevados no país. A manutenção da credibilidade do quadro fiscal no Brasil também será essencial para apoiar o perfil de crédito soberano”.

    Por fim, as equipes de análise de política, economia e estratégia da XP fizeram a ressalva de que do ponto de vista de política econômica, o primeiro turno não trouxe muitas novidades, ainda que tenha impulsionado o mercado acionário.

    “Tanto o presidente Bolsonaro quanto o ex-presidente Lula sinalizaram a intenção de substituir o teto constitucional de gastos como principal âncora fiscal, mas não está claro o que vem a seguir. O resultado relativamente apertado pode pressionar Lula a dar mais detalhes sobre seu plano econômico e equipe para atrair os eleitores mais moderados”, ressaltaram os analistas da corretora.