Alupar acelera ciclo de investimentos e projeta pico de alavancagem em 2028

Com novos projetos de transmissão e captação bilionária no mercado de capitais, empresa aposta em expansão na América Latina enquanto amplia a distribuição de dividendos

Robson Rodrigues, São Paulo
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A Alupar, holding que atua em geração e transmissão de energia elétrica, entrou em um novo ciclo de expansão com agenda de investimentos em transmissão de energia, movimento que deve elevar temporariamente o nível de alavancagem da companhia nos próximos anos.

Segundo o diretor de Relações com Investidores da empresa, Luiz Coimbra, a companhia projeta um pico de alavancagem, medido pela relação dívida líquida/Ebitda entre 3,9 e 4 vezes em 2028, à medida que os projetos em implantação avancem.

“Quando os projetos entram em operação, o Ebitda começa a entrar e a companhia volta a desalavancar”, disse o executivo em entrevista à CNN para tratar dos resultados do quarto trimestre de 2025.

O lucro líquido regulatório somou R$ 191,6 milhões no período, representando avanço de 95,5% em relação aos R$ 98 milhões registrados no ano anterior. O Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) regulatório consolidado alcançou R$ 709,4 milhões no trimestre, crescimento de 8,5% na comparação com o quarto trimestre do ano anterior.

A empresa encerrou 2025 com alavancagem de cerca de 3,3 vezes, abaixo das 3,5 vezes registradas em 2024, mesmo em meio ao avanço do plano de investimentos. O movimento ocorre em um momento em que a Alupar executa um conjunto relevante de projetos de transmissão no Brasil e em outros países da América Latina.

De acordo com as demonstrações financeiras, a companhia possui 44 sistemas de transmissão em concessão, sendo 31 já operacionais e 13 em fase de implantação, com entrada em operação prevista entre 2026 e 2029.

Para sustentar o ciclo de investimentos, a empresa realizou recentemente a maior captação de sua história. Segundo Coimbra, a transmissora TECP levantou R$ 2,45 bilhões em debêntures de infraestrutura, com prazo de 12 anos.

A operação garante o financiamento de dois projetos relevantes de transmissão no Brasil. “Essa emissão resolve praticamente todo o funding do nosso ciclo de implantação no Brasil”, afirmou.

Além disso, a Fitch reafirmou o rating corporativo da companhia em AAA na escala nacional e BB+ na escala internacional, com perspectiva estável, reforçando o acesso da empresa ao mercado de capitais.

Os resultados da empresa no quarto trimestre refletiram principalmente o desempenho do segmento de transmissão. O avanço foi sustentado por fatores como reajustes tarifários das receitas anuais permitidas (RAP) e pela entrada em operação de novos ativos.

Entre eles estão uma linha de transmissão na Colômbia e projetos no Brasil, além da aquisição do ativo Rialma IV, concluída em 2025.

 

Estratégia combina execução e novos leilões

Apesar do foco na execução do portfólio atual, a companhia afirma que continua buscando novas oportunidades de crescimento. A Alupar participou de praticamente todos os leilões de transmissão realizados no último ano no Brasil e na América Latina e isso deve permanecer.

“Temos hoje uma agenda muito focada na execução dos projetos, mas a agenda de crescimento não ficou de lado”, disse.

A empresa venceu recentemente um projeto no Peru e segue avaliando novos certames na região, além dos leilões previstos no Brasil.

 

Dividendos seguem em expansão

Mesmo com o aumento dos investimentos, a companhia manteve a política de remuneração aos acionistas. Com a aprovação da proposta de distribuição de dividendos submetida à Assembleia, o montante total referente ao exercício de 2025 alcançou R$ 356 milhões, o que representa um crescimento expressivo de 29% em relação aos R$ 275,7 milhões distribuídos no exercício de 2024.

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