Ambiente global está muito favorável para o Brasil, diz economista

À CNN, economista-chefe do Credit Suisse avaliou que volume de investimento estrangeiro no país poderia ser ainda maior

João Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

A economista-chefe do banco Credit Suisse no Brasil, Solange Srour, avalia que o ambiente internacional está “muito favorável” para emergentes, em especial para o Brasil, o que tem levado ao grande volume de entrada de capital estrangeiro no país.

Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (4), ela afirma que números como os R$ 67 bilhões que ingressaram na B3 nos três primeiros meses deste ano “vem na esteira de um ambiente global muito favorável a emergentes por conta de aumento de commodities, de emergentes já estarem subindo juros há muito tempo”.

“Estamos começando a ver países desenvolvidos diminuírem a acomodação monetária, enquanto nós aqui já estamos com a Selic em dois dígitos há algum tempo”, diz.

Srour considera também que, durante o período de reabertura na pandemia, houve uma valorização de ativos nos países desenvolvidos muito superior ao dos emergentes, o que faz com que esses mercados, principalmente o brasileiro, sejam considerados baratos.

Mesmo assim, a economista afirma que os investimentos no Brasil ainda representam uma parcela pequena do portfólio global, e poderia ser “muito maior se não fossem algumas incertezas grandes que estamos vivendo este ano, principalmente em relação ao que será a política fiscal no ano que vem”.

Para ela, o foco dos investidores está na agenda fiscal do próximo ano. “Vai aprovar alguma reforma? Porque precisamos. A taxa de juros real está muito alta e isso é insustentável. Primeiro porque o país não cresce, segundo porque a dívida não entra em uma trajetória declinante, pelo contrário, vai para uma trajetória de explosão se os juros reais continuarem no patamar de 5,5%, 6%”.

“O investidor quer saber se a gente vai conseguir fazer reformas que ajudem na consolidação fiscal e tragam aumento de produtividade e crescimento, esse é o foco do investidor que não vem de curto prazo para o Brasil, que não vem se beneficiar de juros altos, mas sim de crescimento econômico”, diz.

Ela avalia que esse é o perfil dos investidores estrangeiros que têm entrado no país atualmente, já que os investimentos estão indo para a bolsa de valores.

“Ele quer saber o que o Brasil vai fazer a partir de 2023 para aumentar seu produto potencial e o que vai fazer para  jogar esse juro real para um patamar mais baixo e assim trazer uma certa tranquilidade em relação à nossa capacidade de pagar a dívida”.

A economista-chefe do Credit Suisse lembra que a atratividade atual do Brasil está no fato do país ser um grande exportador de commodities, e não por ter um boom de produtividade ou ter trabalhadores mais propensos a adquirir mais tecnologia. Ou seja, é um fluxo que pode acabar junto com o ciclo de alta de commodities.

“O Brasil, para deixar de ser menos vulnerável a esses ciclos, precisa ter bases de fundamentos mais sólidos, e vem da produtividade do trabalhador, que está completamente estagnada há 5 décadas”, afirma.

Para isso, ela diz ser importante aproveitar o boom atual e o ambiente favorável, e avançar nas agendas de reformas, “se não o Brasil vai ser sempre um mercado muito restrito para o investidor estrangeiro e a gente vai viver nessa volatilidade”.