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    Argentina: Questão econômica é central para o eleitor nas primárias, aponta especialista

    População vai às urnas neste domingo (13) para definir candidatos que concorrerão à Presidência do país

    Amanda Sampaioda CNN

    São Paulo

    A situação econômica da Argentina deve ditar o rumo das primárias e das eleições presidenciais no país, marcadas para os dias 13 de agosto e 22 de outubro, respectivamente.

    Neste domingo (13), os argentinos vão às urnas para definir os candidatos que concorrerão aos cargos do Parlamento do Mercosul, à Câmara dos Deputados e ao Senado, além da Presidência e vice-presidência do país.

    A cientista política e professora de relações internacionais ESPM Denilde Holzhacker afirma que a questão econômica do país é central para o eleitor do país, que espera propostas que enderecem pautas como inflação e políticas de combate à pobreza.

    Em julho deste ano, o acumulado da inflação na Argentina em 12 meses atingiu 115,6%, mantendo elevação constante desde o mesmo período de 2022.

    Além disso, na última semana, a disparada do dólar no mercado paralelo fez o ministro da Economia ameaçar o uso de força policial para reprimir a prática.

    “Grande parte do debate nas primárias para a definição dos candidatos e também para discussão no processo eleitoral até a eleição vai ser em torno da discussão econômica e de suas propostas”, afirma Denilde.

    Em meio aos pré-candidatos, o atual ministro da Economia, Sergio Massa, aparece com vantagem na coligação União pela Pátria, com 28% das intenções de voto nas primárias, segundo pesquisa divulgada pelo instituto Opina.

    Ele deverá ser o indicado da coligação para ser o candidato, já que seu adversário, o ativista Juan Grabois, conta com apenas 3% das intenções.

    Para Denilde, Massa é o pré-candidato que tem mais condições de apresentar um plano voltado às questões econômicas do país.

    “Ele tem conduzido reformas e tem conseguido negociações importantes com o FMI e no que diz respeito à atração de investimentos da China […] Então ele tem um leque de capacidade para demonstrar que existem opções”, avalia.

    No entanto, a disputa nas primárias eleitorais está cada vez mais acirrada entre os pré-candidatos da coligação Juntos por el Cambio (Juntos pela Mudança em tradução livre), a principal chapa oposicionista do pleito deste ano.

    A ex-ministra Patricia Bullrich e o prefeito de Buenos Aires Horacio Larreta seguem empatados com 16%, segundo o levantamento. Se somados os votos por coligação, o Juntos pela Mudança fica à frente, com 32% dos votos, contra 31% do União pela Pátria.

    “Por outro lado, os candidatos mais populistas geram uma expectativa do mercado financeiro e também da própria sociedade, mas o grande tema continua sendo a questão econômica em todas as suas dimensões”, diz.

    Além da questão econômica, Denilde também destaca a segurança pública como uma das principais pautas para as eleições presidenciais no país.

    “Esse tema será parte da agenda de Patrícia Bullrich, porque ela esteve ligada a essa questão por muito tempo. A segurança pública é um problema em várias regiões e o aumento da violência nas cidades tem sido um ponto de discussão”, avalia.

    No entanto, a professora da ESPM destaca que as propostas ainda não estão bem definidas do ponto de vista econômico.

    “Os candidatos têm feito posições um pouco distantes, ou até ambíguas, sobre o que pode se encaminhar em termos econômicos, mas isso vai depender também das pós-primárias. Definidos, de fato, os candidatos, acredito que os projetos vão estar mais claros para que o eleitor possa decidir”, conclui.

    Por que o país está em crise

    A economia argentina vem subindo e descendo desde 2001, após um período de crescimento que começou em 2003 após o fim da conversibilidade — a paridade entre o peso e o dólar que vigorava por lei desde 1991— enquanto a pobreza e a inflação mantiveram uma tendência ascendente.

    “A Argentina perdeu a oportunidade de construir uma moeda após a saída traumática da conversibilidade”, disse Marina Dal Poggetto, economista e diretora-executiva da consultoria EcoGo, à CNN.

    Veja também: Argentina cria nota de 2 mil pesos em meio à disparada da inflação

    “Todos os países da América Latina tiveram inflação alta na década de 1980, todos tiveram programas de estabilização na década de 1990. A Argentina teve uma saída traumática da conversibilidade com quebra de contratos e ‘corralito’, mas depois teve superávits externos e fiscais, com estabilidade de preços.”

    Para Dal Poggetto, a Argentina se conectou no início dos anos 2000 com um mundo que buscava matérias-primas, que a América Latina produzia, mas perdeu a oportunidade: em vez de dar confiança ao peso, desenvolveu políticas fiscais e monetárias extraordinariamente expansionistas.

    “A partir de 2011, os estoques foram consumidos, os excedentes foram perdidos e, sem moeda, entrou na zona de manutenção da demanda de pesos com estoques”, afirmou, referindo-se ao termo usado para se referir aos controles do governo sobre os regimes de câmbio.

    “Macri tirou as ações e compensou os desequilíbrios com créditos, com uma agenda gradual que colidiu quando o crédito foi cortado em 2018, e desde então houve queda livre.”

    A Argentina arrasta, assim, grandes problemas que não conseguiu resolver, entre eles o alto déficit nas contas públicas e os gastos com forte componente de assistência social; uma questão importante de sua moeda; uma economia informal crescente e emprego; escassez de reservas e liquidez para fazer frente aos pagamentos da dívida; tarifas de energia subsidiadas no contexto do aumento dos preços do petróleo e do gás devido à guerra na Ucrânia; e uma eterna desconfiança no peso e na economia em geral, construída de crise em crise.

    “O problema da Argentina é múltiplo: é político, porque temos uma crise de legitimidade, mas também econômico, porque não crescemos há muitos anos”, disse o analista econômico internacional Marcelo Elizondo à Rádio CNN, acrescentando que “a Argentina precisa revitalizar o setor privado setor” e que “há países em que um pouco mais do Estado é bom, mas quando se tem um setor público superdimensionado é causa de pobreza”.

    “Há outro problema que é institucional, que são as garantias com base nas quais todos tomamos decisões. Os valores predominantes da sociedade não são virtuosos e devemos tentar corrigi-los”, acrescentou.

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    Com informações de Germán Padinger, da CNN.