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    Arrecadação federal registra novo recorde em junho e acumula R$ 1 tri no 1º semestre

    Valor representa alta real de 17,96% ante o mesmo mês de 2021, de acordo com dados divulgados pela Receita Federal

    Na comparação com o mês imediatamente anterior, a arrecadação ganhou ritmo e avançou 8,77%
    Na comparação com o mês imediatamente anterior, a arrecadação ganhou ritmo e avançou 8,77% Marcos Santos/USP Imagens

    Anna Russida CNNFabrício Juliãodo CNN Brasil Business

    em Brasília e em São Paulo

    Com o recolhimento de R$ 181,040 bilhões de impostos e contribuições, a arrecadação federal em junho registrou o melhor resultado para toda a série histórica do mês, iniciada em 1995. Esse é o sexto recorde mensal consecutivo em 2022.

    O resultado veio bem acima das expectativas do mercado que, segundo o Prisma Fiscal, há dois meses aguardavam cerca de R$ 158 bilhões para junho.

    Já os analistas ouvidos pela Bloomberg até a última quarta-feira (20) previam R$ 175 bilhões, enquanto a XP estimava um recolhimento de R$ 178,9 bilhões no mês.

    O valor representa alta real de 17,96% ante o mesmo mês de 2021, de acordo com dados divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira (21). Na comparação com o mês imediatamente anterior, a arrecadação ganhou ritmo e avançou 8,77%.

     

    Tiago Sbardelotto, economista da XP, aponta que os resultados de junho mostraram que os combustíveis (463,1%), os serviços financeiros (30,6%) e os serviços de tecnologia de informação (53,2) foram os principais impulsionadores da arrecadação (excluindo receitas da segurança social).

    No acumulado do ano, combustíveis, serviços financeiros, extração mineral e extração de petróleo e gás foram as atividades que tiveram os maiores aumentos de receita.

    “Surpresas positivas na arrecadação de impostos federais devem permanecer nos próximos meses. Apesar das recentes reduções de alíquotas e moderação de preços e atividade econômica no segundo semestre deste ano, que podem afetar negativamente as receitas, ganhos na folha de pagamento e no consumo podem sustentar a arrecadação para os próximos meses”, afirmou Sbardelotto.

    “Ao todo, estimamos que a arrecadação no ano deve chegar a R$ 2.149 bilhões, um ganho em torno de 7% em termos reais relação ao ano passado”, acrescentou o economista.

    O ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou o recorde como um sintoma “inequívoco” de que o desempenho econômico está surpreendendo e uma confirmação de um ritmo de crescimento sustentável.

    Os números aparecem em meio a uma política de redução de impostos para tentar amenizar o impacto da inflação sobre alimentos e combustíveis no país. Nesse sentido, Guedes reforçou que, por ser extraordinário, o desempenho da arrecadação não deve ser fortemente impactado pelas medidas mas sim possibilita que as mesmas sejam implementadas.

    “Está ficando muito claro que apesar das nossas reduções de impostos e alíquotas e simplificação, o ritmo de crescimento mantém forte a arrecadação. Isso, mais uma vez, deixa claro que a solução para geração de emprego, crescimento, a solução no Brasil, é justamente perseguirmos e prosseguirmos no caminho da prosperidade, que é o de redução de impostos e simplificação de alíquotas”, afirmou.

    R$ 1 trilhão no ano

    No acumulado do primeiro semestre, o recolhimento de tributos alcançou R$ 1,089 trilhão, com alta real de 11% ante o mesmo quadrimestre de 2021. Segundo a Receita, esse também é o melhor desempenho arrecadatório da série histórica para o período.

    A pasta ainda explica que os recordes para os dois períodos foram puxados pelo crescimento dos recolhimentos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro (CSLL). Somente em junho, os dois tributos o totalizaram uma arrecadação de R$ 34.269 milhões, com crescimento real de 37,47%.

    De janeiro a junho, o valor foi de R$ 258.492 bilhões, com crescimento real de 21,54%. “Houve recolhimentos atípicos da ordem de R$ 26 bilhões, especialmente por empresas ligadas à exploração de commodities, no período de janeiro a junho deste ano”, destaca a Receita Federal.

    Questionado pela CNN sobre em relação a segundo semestre, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, disse que “as projeções para o segundo semestre vão ser divulgadas no relatório de Avaliação de Receitas e Despesas e essas projeções foram revistas. Foram feitas novas estimativas a partir dos novos parâmetros recebidos pela nossa equipe. A expectativa é que a arrecadação siga acompanhando o ciclo de recuperação da atividade econômica”.