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    Avanço de acordo Mercosul-UE em 2022 é considerado improvável por diplomatas

    Além de gargalos técnicos, eleições brasileiras e crise econômica na Argentina são apontados como possíveis fatores que dificultam negociação neste momento

    Bandeiras dispostas dos páises durante Cúpula do Mercosul
    Bandeiras dispostas dos páises durante Cúpula do Mercosul Foto: Isac Nóbrega/PR

    Gustavo Uribeda CNN

    Brasília

    Diplomatas brasileiros afirmaram à CNN que o governo brasileiro já estaria avaliando como improvável que neste ano tenha avanços significativos em torno do acordo comercial envolvendo os blocos econômicos do Mercosul e da União Europeia.

    Além de gargalos técnicos, que ainda precisam ser resolvidos, fontes do Itamaraty apontam à CNN as eleições brasileiras e a crise econômica na Argentina como fatores que dificultam uma negociação.

    A avaliação é de que apenas uma definição do próximo mandatário do Palácio do Planalto e um arrefecimento do quadro de instabilidade na Argentina permitirá o retorno das negociações.

    O governo brasileiro nunca deixou de manter contato com o bloco europeu com vistas a um acordo, mas o ritmo das negociações tornou-se mais lento nos últimos meses, diante das incertezas políticas e econômicas no Mercosul.

    Além do cenário geopolítico e da instabilidade regional, há pelo menos três etapas de caráter técnico que precisam ser superadas para que o acordo comercial seja viabilizado.

    A primeira se refere à comprovação por produtores agropecuários do direito de explorar as chamadas indicações geográficas, ou seja, nomes de produtos associados a uma região, como de queijos e bebidas, por exemplo.

    O segundo entrave se refere a adendos que devem ser incluídos no texto final pela União Europeia referentes a questões ambientais. Os termos, contudo, ainda não foram informados ao Mercosul e devem passar por nova rodada de negociações.

    E a última etapa é o processo de revisão legal do texto final, um esforço que costuma ser demorado já que os termos do acordo não podem ir de encontro a legislações regionais.

    O acordo entre o Mercosul e a União Europeia envolveria a redução imediata ou gradual de tarifas de importação, com o potencial de tornar mais baratos ao mercado consumidor produtos tanto agropecuários como industriais.

    A negociação já se arrasta por mais de vinte anos e, caso ela seja exitosa, a promessa é de que seja o maior acordo de livre comércio da história.

    A CNN entrou em contato com os ministérios da Economia e das Relações Exteriores sobre o avanço nas negociações e aguarda retorno.