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    Bancos públicos mudaram filosofia, afirmam presidentes da Caixa e BNDES

    Daniella Marques e Gustavo Montezano defenderam foco em micro e pequenos empreendedores

    Montezano afirma que BNDES realizou transição de papel no mercado
    Montezano afirma que BNDES realizou transição de papel no mercado Miguel Ângelo/Confederação Nacional da Indústria (CNI)

    João Pedro Malardo CNN Brasil BusinessElis Barretoda CNN

    São Paulo e Brasília

    Os bancos públicos brasileiros tiveram uma mudança de filosofia nos últimos anos, passando a focar em micro e pequenos empreendedores e na população mais carente, segundo os presidentes do BNDES e da Caixa Econômica Federal.

    Gustavo Montezano e Daniella Marques participaram de um evento promovido pelo banco BTG Pactual em que falaram sobre os papéis dos bancos públicos na sociedade.

    “É uma transformação de filosofia, eixo, mudar a forma de ver valor de banco público. Durante muito tempo, associava o desenvolvimento à quantidade de financiamento, crédito. E o capital é sim importante para o desenvolvimento, mas precisa estar associado ao capital de governança, e inovação, ambiental e social”, afirmou Montezano, do BNDES.

    Para ele, o banco realizou uma transição de um “monopolista que distribui subsídio” para grandes empresas para um banco que opera a mercado, representa uma “transformação brutal”.

    Montezano disse ainda que, anteriormente, o BNDES enfrentava problemas devido a uma “atuação como monopolista”. Entre elas, estava uma aversão a riscos, falta de modernização e uma ausência de incentivo à modernização.

    “O banco fica mais lento, não se moderniza, a instituição fica com risco de perenidade. Com essa mudança, é o que estamos vendo, e é só o começo dessa jornada. O importante é que essa mentalidade permaneça por mais tempo”, defende.

    “O BNDES é banco de atacado, tem que continuar sendo, não faz sentido atuar em agência, mas pode competir no microcrédito pela função de repassador. Durante a pandemia, aprendeu que tem que atuar com seguro de crédito, pode e vai. Foi uma inovação em um ambiente emergencial”, afirma.

    Já Marques avaliou que havia uma necessidade de um “choque de governança, desalavancar o balanço, aumentar acesso a crédito e ir para micro e pequenos empresários. Não cabe ao estado ser empresário, carregar carteira de ações”.

    No caso da Caixa, ela diz que isso foi feito primeiramente com uma digitalização de operações, com uma “bancarização” da população a partir da criação de contas para recebimento do Auxílio Emergencial durante a pandemia. “Em 45 dias, 68 milhões foram assistidos com o auxilio emergencial de 600, permitiu que segurasse a queda do PIB que poderia ter recuado 10%. Se vc bancarizou 68 milhões de pessoas, qual o próximo passo? Inserir no mercado”, diz.

    “A Caixa é um banco que tem a habitação como foco, e estava focado em grandes campeões. Se pega banco social que opera todos os programas sociais do governo e vocaciona para dar crédito a campeão nacional, algo está errado, então houve um redirecionamento”, ressalta.

    “Se a Caixa não faz orientação financeira na base, o capitalismo popular, para finalizar essa jornada, se não tiver orientando, não sei quem vai estar. Quero aprofundar essa vocação, integrar agendas”, comentou.

    Marques destacou ainda uma mudança na cultura organizacional da Caixa, com uma aproximação maior do público feminino.

    “Agora, se algum homem atrapalhar, denuncia, porque o canal está aberto para quem quiser”, destacou. Marques assumiu a presidência do banco após a saída de Pedro Guimarães em meio a acusações de assédio sexual.

    Desde então, sua gestão lançou o “Caixa Pra Elas”, que segunda ela faz parte de uma resposta a uma “crise reputacional”. “Propus que o banco se posicione para abraçar a causa das mulheres no sentido social, na prevenção da violência doméstica”, explica.

    “Em termos de governança, e na Caixa vou fortalecer mais ainda, para que banco continue com missão, cultura, senso de propósito. Se a cada 4 anos vive uma transição política, quanto mais fortes foram os órgãos internos e menos poder tiver o CEO, a transição passa melhor”, afirma.