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    BCE alerta para recessão técnica e riscos à estabilidade financeira

    Cenário é consequência de inflação elevada, em especial nos preços de energia, e baixo crescimento econômico

    Sede do BCE em Frankfurt, Alemanha
    Sede do BCE em Frankfurt, Alemanha Reuters/Wolfgang Rattay

    Gabriel Caldeira, do Estadão Conteúdo

    O cenário de inflação elevada – em especial nos preços de energia – e baixo crescimento econômico elevaram os riscos à estabilidade financeira na zona do euro, alertou nesta quarta-feira (16) o Banco Central Europeu (BCE), em seu mais recente relatório de Revisão de Estabilidade Financeira.

    “Pessoas e empresas já estão sentindo o impacto do aumento da inflação e da desaceleração da atividade econômica”, disse o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos. “Nossa avaliação é que os riscos para a estabilidade financeira aumentaram, enquanto uma recessão técnica na zona do euro se tornou mais provável”, completou em comunicado.

    O BCE destaca que os bancos, embora estejam em posição confortável para sustentar a economia em meio aos choques, podem ter de lidar com maiores perdas de crédito no médio prazo.

    De acordo com a autoridade monetária europeia, além dos desafios impostos às pessoas e ao setor corporativo, a liquidez reduzida nos mercados por conta do cenário atual elevou riscos de “ajuste desordenado de preços de ativos”. Neste contexto, a resiliência de fundos de investimento, altamente expostos a novos valuations e perdas de crédito, será testada, avaliou.

    Entre empresas, as mais expostas são aquelas com uso intenso de energia, dado o aumento dos preços de commodities deste setor. “Se as perspectivas se deteriorarem ainda mais, não se pode excluir um aumento na frequência de inadimplência corporativa”, alertou o BCE.

    Isso tudo ocorre em um momento de alta nos custos de financiamento na zona do euro e em todo o mundo, em ação de diversos bancos centrais para controlar a inflação, incluindo o BCE. Desta forma, os governos de países na zona do euro têm de dar apoio fiscal direcionado e que não interfira no aperto monetário, recomendou o BCE.