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    Calote no microcrédito para negativados da Caixa supera 80% e prejuízo ficará com o FGTS

    Ao todo, foram emprestados R$ 3 bilhões para 3,86 milhões de clientes — boa parte deles com nome sujo na praça

    Programa tentava facilitar a oferta de crédito para famílias e pequenos empreendedores
    Programa tentava facilitar a oferta de crédito para famílias e pequenos empreendedores 29/10/2019REUTERS/Adriano Machado

    Fernando Nakagawada CNN

    A inadimplência na operação de microcrédito oferecida da Caixa Econômica Federal, inclusive para clientes negativados, supera 80%. A informação foi publicada nas redes sociais pela presidente do banco, Rita Serrano. O prejuízo, no entanto, não ficará com a Caixa.

    A conta vai cair no colo do trabalhador, já que a operação é garantida pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

    Ao longo de 2022, o governo federal adotou uma série de medidas para tentar estimular a economia, que ainda tentava se reerguer do pior momento da pandemia.

    Uma das iniciativas aconteceu em 17 de março, quando o presidente Jair Bolsonaro assinou a Medida Provisória 1.107. O texto criava o Programa de Simplificação do Microcrédito Digital, o SIM Digital.

    O programa tentava facilitar a oferta de crédito para famílias e pequenos empreendedores. Para isso, o governo acenou aos bancos: ofereceu R$ 3 bilhões em garantias para mitigar os riscos de calote. O dinheiro, porém, não era do governo. Os recursos eram dos trabalhadores brasileiros, já que os bilhões saíram do patrimônio do FGTS.

    Os dias se passaram e nenhum banco se movimentou para oferecer o crédito com garantia do FGTS. O silêncio foi rompido em 28 de março.

    Naquela segunda-feira, a Caixa anunciou com festa uma nova operação: o crédito Caixa Tem SIM Digital. O empréstimo era oferecido digitalmente, pelo telefone celular via aplicativo da Caixa.

    Com o respaldo da garantia bilionária do FGTS, veio o principal chamariz: o dinheiro era oferecido inclusive para quem estivesse com o nome negativado nas centrais de crédito.

    Eram até R$ 1 mil em empréstimos para pessoas físicas e até R$ 3 mil aos microempreendedores individuais.

    Em poucas horas, 1,5 milhão de pessoas já tinham solicitado crédito. O número foi informado pelo então presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que foi falar sobre a iniciativa no programa à noite na “A Voz do Brasil”.

    Ao todo, foram emprestados R$ 3 bilhões nessa operação para 3,86 milhões de clientes — boa parte deles com nome sujo na praça. Portanto, sem acesso a crédito em bancos e financeiras.

    Pouco mais de um ano depois percebe-se que a operação foi desastrosa do ponto de vista da gestão de risco. O calote superior a 80% não encontra nenhum similar na história recente da Caixa.

    Rita Serrano, atual presidente da Caixa, disse ontem no Twitter que a operação é “contestável, implementada às vésperas das eleições de 2022 e com um apelo excessivo ao endividamento da população vulnerável”.

    Segundo Serrano, a linha de crédito está sendo investigada por órgãos de controle e por uma auditoria interna.

    Procurada, a Caixa diz que “já houve liquidação e amortização da carteira, sendo que o índice de inadimplência se refere à carteira ativa e vincenda do produto”.