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    Chuvas reduzem uso das termelétricas, e hídricas têm alta na geração de energia

    Energia elétrica gerada por eólicas e fontes solares também apresentam alta em relação aos quatro primeiros meses do ano passado

    Iuri CorsiniHelena Vieirada CNN

    no Rio de Janeiro

    Com as intensas chuvas no primeiro quadrimestre deste ano, a geração de energia entregue pelas hidrelétricas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) entre janeiro e abril foi 8,4% maior em relação ao mesmo período de 2021. O dado foi divulgado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) nesta quinta-feira (19).

    O CCEE afirmou que a condição favorável de chuvas reduziu a dependência por térmicas no início de 2022, que são os empreendimentos mais custosos na geração de energia, e alavancou a utilização de fontes renováveis.

    Segundo dados levantados pela CNN no portal do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), consolidados até 31 de março deste ano, no primeiro trimestre de 2022 foi observada uma redução de 69,8% na geração de energia elétrica por termelétricas.

    Enquanto nos três primeiros meses de 2021 o país gerou 32.796 megawatts médios (MW médios) para o Sistema Interligado Nacional (SIN), no primeiro trimestre deste ano foram gerados 22.911 MW médios.

    A CCEE também apontou que houve um significativo aumento no volume de energia elétrica gerada a partir de usinas solares e parques eólicos, quando comparado aos quatro primeiros meses do ano passado.

    Foram produzidos 6.505 megawatts médios de janeiro a abril deste ano por fontes eólicas, um aumento de 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Já na geração por solares fotovoltaicos, o aumento foi ainda maior. Houve um acréscimo de 66,8% no comparativo anual.

    “As altas podem ser explicadas por um cenário mais favorável de ventos e insolação nos locais que concentram a maioria dos empreendimentos, além do próprio aumento no volume de usinas em operação”, explicou a câmara no texto divulgado sobre os resultados.

    Reflexos na conta de luz

    A vice-presidente do Conselho de Administração da CCEE, Thalita Porto, ressalta que essa redução do uso das termelétricas não reflete necessariamente uma diminuição das tarifas de energia. Segundo ela, outros fatores como o câmbio e os preços dos combustíveis também influenciam o cálculo.

    “Em relação à tarifa, é preciso compreender que ela é composta por uma série de componentes e não somente o cenário hidrológico. Neste momento, podemos dizer que o custo da geração está mais baixo, mas há ainda um valor a ser pago por todos os consumidores, por conta das medidas que o setor adotou no ano passado para garantir que não houvesse nenhum problema com o fornecimento de energia, como de fato não houve. Outros fatores, como o câmbio e o preço de combustíveis, também têm influência sobre os cálculos”, destaca.

    Cenário futuro

    Ainda segundo Thalita, o uso das termelétricas deve ser ainda menor ao longo do ano, com a participação crescente das usinas termelétricas e solares.

    “Vale notar que, felizmente, o ciclo de menos chuva no Brasil coincide com o período favorável para a moagem da cana de açúcar, principal fonte para geração de energia de biomassa. Nos próximos meses também iniciaremos um período mais promissor para os ventos no Nordeste, que ajudam a complementar a oferta”, pontua.

    A energia solar fotovoltaica segue se desenvolvendo bem, ganhando cada vez mais espaço no mercado e aproveitando todo o potencial do Brasil, que tem boa incidência solar praticamente o ano inteiro. Todos esses fatores indicam um ano muito mais positivo que o último”, conclui Thalita.