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    Com Rússia fora do páreo, investidores começam a olhar para outros emergentes

    A exemplo do BRICS, investidores podem parar de agrupar todos os mercados emergentes em uma única sigla

    Bandeiras de Brasil, Rússia e Índia, que compõem o bloco do Brics com China e África do Sul
    Bandeiras de Brasil, Rússia e Índia, que compõem o bloco do Brics com China e África do Sul Foto: Divulgação/Brics

    Paul R. La Monicado CNN Business*

    em Nova York

    Por muitos anos, os mercados emergentes mais populares do mundo foram os chamados BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

    Mas, dado que a Rússia não é mais um mercado que os ocidentais podem acessar após a invasão à Ucrânia, talvez seja hora de os investidores pararem de agrupar todos os mercados emergentes.

    “Os BRICS tiveram seu dia de sol e isso desapareceu”, disse Eric Winograd, economista sênior da AllianceBernstein.

    Vários grandes fornecedores de índices dos EUA removeram as ações russas dos índices a um preço de “zero” ou “efetivamente zero”. A negociação de ações de várias empresas russas listadas nos EUA, como o mecanismo de busca Yandex e a telecom MTS, foi interrompida.

    E a Bolsa de Valores de Moscou está fechada desde 25 de fevereiro, um dia depois da invasão.

    “A ideia de que um país tão imenso quanto a Rússia possa ser removido dos índices é uma grande coisa”, disse Winograd.

    Parece provável que a Rússia não seja incluída nos principais fundos de mercados emergentes tão cedo. Mesmo para os ocidentais ainda dispostos a investir em ativos russos, não está claro o que vem a seguir.

    “Alguns investidores estão perguntando sobre a exposição à Rússia em fundos de mercados emergentes. Com os índices começando a excluir a Rússia, ainda é um jogo de esperar para ver”, disse Mychal Campos, chefe de investimentos da Betterment.

    Para os investidores que desejam obter exposição aos mercados emergentes, disse Winograd, cada país deve ser analisado individualmente.

    “O nome do jogo será a diferenciação. Não invista em mercados emergentes com base em uma sigla”, disse Winograd. “É sempre estranho dizer que Argentina e Coreia do Sul são a mesma coisa, por exemplo. Não são.”

    Esqueça os BRICS e foque em TICKS ou MIST?

    Para ficar com as siglas, o fechamento do mercado de ações russo essencialmente transformou o BRICS no BICS – e isso pode ser uma mudança permanente, disse Rahul Sen Sharma, sócio-gerente da Indxx, um fornecedor global de índices.

    “Os investidores vão abraçar a Rússia novamente? Se não houver liquidez, é um ponto discutível. Mas também é difícil acreditar que as pessoas vão correr para a Rússia tão cedo”, disse Sen Sharma à CNN Business.

    Sen Sharma disse que alguns investidores podem começar a olhar para outros mercados emergentes para substituir a Rússia, como Taiwan e Coreia do Sul. Os BRICS podem se tornar os TICKS.

    Ele acrescentou que a Polônia, a Turquia e o México são intrigantes, assim como as Filipinas e a Indonésia. Poderíamos juntar México, Indonésia, Coréia do Sul e Turquia como o mercado MIST, na abreviatura em inglês. “As pessoas adoram suas siglas”, brincou Sen Sharma.

    É claro que qualquer mercado emergente na Europa – como a Polônia – é inerentemente arriscado devido à proximidade geográfica com a Rússia e a Ucrânia. Portanto, outras nações da Europa Central e Oriental podem ser difíceis de vender para os investidores ocidentais.

    Outros especialistas argumentam que os investidores estão olhando mais para empresas individuais em mercados emergentes e menos para os próprios países.

    “Um investidor típico vê os mercados emergentes como uma classe de ações. É parte de um portfólio”, disse Callie Cox, analista de investimentos norte-americana da eToro.

    “O cenário dos mercados emergentes está mudando há algum tempo”, acrescentou Cox, observando que muitos investidores estão céticos em relação à Rússia desde a anexação da Crimeia em 2014. “Houve mais ansiedade”.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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