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    Com Selic a 5,25%, investimento demora 14 anos para dobrar; em 2016, eram 5

    Em 2015 e 2016, juros básicos do país chegaram aos 14,25%; hoje, rendimento ainda perde para inflação

    Com Selic a 2%, eram necessários quase 37 anos para dobrar aplicação
    Com Selic a 2%, eram necessários quase 37 anos para dobrar aplicação Foto: Pawel Czerwinski/Unsplash

    Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou nesta quarta-feira (4) um aumento de um ponto na Selic, a taxa básica de juros do país, de 4,25% para 5,25% ao ano. 

    A Selic serve de base para todos os outros juros do país e, com ela, sobem também os rendimentos da renda fixa, o que significa que as aplicações mais básicas voltam aos poucos a dar retornos um pouco melhores, depois de um ano em que a Selic despencou a 2% e os rendimentos da renda fixa perderam qualquer atratividade. 

    Com a Selic a 5,25%, o tempo médio para dobrar o valor investido em uma aplicação básica que acompanhe a taxa cai agora para 13 anos e dez meses, de acordo com cálculos feitos pelo economista Luiz Felippo, analista e sócio da Nord Research, a pedido do CNN Business

    É o caso de investimentos como o Tesouro Selic, título público que paga exatamente a Selic, ou CDBs e fundos DI, que acompanham o CDI, outra taxa do sistema bancário que anda colada à Selic. 

    Isso significa que o tempo para engordar as aplicações já caiu a menos da metade se comparado ao pior momento: com uma Selic a 2%, eram necessários quase 37 anos para que o capital investido nessas aplicações dobrasse de tamanho. 

    As contas levaram em consideração o CDI, que flutua exatamente com a Selic, ficando sempre cerca de 0,1 ponto abaixo (para uma Selic a 5,25%, o CDI fica próximo de 5,15%). 

    O cálculo também levam em conta os rendimentos brutos – as principais aplicações de renda fixa, como títulos públicos, CDBs e fundos, têm ainda desconto de imposto de renda sobre os lucros. As alíquotas variam de 22,5% a 15% de acordo com o prazo. 

    Além disso, os números servem apenas como referência do potencial da renda fixa, já que as aplicações que acompanham a Selic ou o CDI são pós-fixadas, que dizer, o rendimento delas varia ao longo do tempo: o tamanho da remuneração irá ficar maior ou menor conforme a Selic sobe ou desce. 

    Vacas gordas: o dobro em 5 anos

    Mesmo com a rentabilidade da renda fixa voltando a respirar, os rendimentos ainda estão longe dos tempos de vacas gordas, quando os juros brasileiros ficavam acima dos dois dígitos. 

    Em 2016, por exemplo, última vez em que isso aconteceu, a Selic chegou a ser de 14,25% ao ano: com essa remuneração, em apenas cinco anos o dinheiro aplicado já dobraria.  

    Ainda abaixo da inflação

    Os aumentos mais recentes também não foram suficientes ainda para reverter um fenômeno novo que se apossou do rentismo brasileiro nesse último ano de juros baixíssimos: o dos juros reais negativos, que são a remuneração final já descontada a inflação. 

    Como o avanço de preços foi mais rápido do que o dos juros, o rendimento real da Selic ou do CDI ainda continua negativo. Nos 12 meses até junho, a inflação do país chegou a 8,3%, ainda bastante acima dos 5,25% da Selic.  

    Na prática, significa que, na média, os preços estão subindo mais rápido do que a remuneração da renda fixa, e que, ao fim, o dinheiro aplicado consegue comprar menos coisas do que antes, mesmo já considerando o que conseguiu render.

    Até o fim do ano, os economistas projetam uma inflação entre 6% e 7%, disputando nos decimais a corrida com os juros, que devem continuar subindo também até a faixa dos 7% até lá. 

    Longo prazo

    As aplicações que pagam exatamente a Selic ou o CDI são apenas as opções mais básicas da renda fixa. Existem diversas alternativas de títulos públicos, CDBs e outros investimentos que oferecem remunerações maiores, embora, quase sempre, atrelados a prazos de aplicação mais longos também

    Para a parte do dinheiro que está sendo guardada para o longo prazo e que não vai precisar ser usada para socorrer gastos do dia a dia ou de emergências, são os mais recomendados dentro da renda fixa.