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    Com vaivém do Ibovespa, dica do megainvestidor Luiz Barsi é comprar e comprar

    Luiz Barsi também acredita que novos investidores da Bolsa estão fugindo da renda fixa e que day traders podem trazer prejuízo ao mercado

    Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business, em São Paulo

    O que fazer quando o Ibovespa está em queda? Vender todas as ações e fugir para as colinas? Ou apostar em investimentos menos arriscados?

    Para o megainvestidor Luiz Barsi, conhecido como o Warren Buffett brasileiro, a resposta é: esperar, não vender e não ser mais conservador, respectivamente. “Com a bolsa em queda, o investidor tem que comprar”, disse, em entrevista ao CNN Brasil Business.

    As crises no mercado não são estranhas para Barsi, que já é investidor há 52 anos. Em todas elas, no entanto, sua estratégia foi a mesma: continuar investindo. “Em 1972, eu realizei um pequeno ensaio: eu peguei 10 pessoas e, durante 30 anos, essas pessoas aplicaram e pagaram a previdência. Cheguei à conclusão de que elas acumularam um valor que não lhes permitiria uma aposentadoria concreta. Foi aí que comecei meu projeto, que hoje dura 50 anos”, brinca. 

    Investir em outro país também não é um bom negócio para o megainvestidor, que prefere voltar seus olhos (e riquezas) para companhias brasileiras. “Eu invisto no meu país e acho que as grandes oportunidades estão aqui. O investimento não gera resultados de uma forma contundente como muitos interpretam. Há quatro, cinco anos atrás, compramos ações de uma empresa chamada Suzano a R$ 3,80. Hoje, ela custa quase R$ 75”, diz.

    “A visão tem que ser essa: a de você formatar uma carteira de renda mensal. Hoje tenho mais ou menos 10 empresas na minha carteira, e o que eu faço? Eu aproveito algumas oportunidades de alavancagem do mercado. Você tem que procurar e evoluir no mercado para, daqui 50 anos, se tornar um craque”, aconselha.

    A Petrobras, uma das gigantes da Bolsa e preferida por alguns investidores, não faz parte da carteira de investimentos de Barsi porque, segundo ele, sua rentabilidade é muito baixa e não condiz com seus critérios para negociar uma ação. 

    Debandada da renda fixa

    O megainvestidor acredita que o aumento de pessoas que passaram a investir em ações se deu não por um conhecimento mais maduro do mercado, mas sim por “uma fuga da renda fixa”. “Essa corrida de agora no mercado de valores, eu não creio que quem opera atualmente se convenceu de que o mercado é um investimento. Para mim, eles estão fugindo da renda fixa”, diz. 

    Segundo ele, os brasileiros foram “seduzidos, induzidos e conduzidos” para realizar investimentos em renda fixa, como a própria poupança. “O brasileiro foi treinado para ser um aplicador de receber juros, ou seja, para ser um agiota, não para ser um investidor na geração de riqueza. Aqui no Brasil, estamos condicionados a emprestar o dinheiro e receber um jurinho em troca. Se porventura as taxas de juros voltarem a subir, eu não tenho dúvida nenhuma que o pessoal que veio para a Bolsa vai voltar para a renda fixa”, comenta. 

    O perigo da especulação 

    Barsi também mostra desconfiança quando o assunto são os “day traders” e especuladores em geral.

    Para ele, o fato de eles apenas comprarem ações para revendê-las a curtíssimo prazo responde a um interesse da bolsa, e não do mercado. “A Bolsa quer que você compre na baixa e venda na alta, quer que você se inspire no fundamento de longo prazo brasileiro, que é de 15 minutos. Isso traz uma coisa muito desagradável, um negócio chamado prejuízo”, diz. “Na Bolsa, quando alguém ganha, alguém perde, e o ‘day trader’, aquele que vive de comprar e vender, ele não consegue acertar em todos os momentos e operações. Então, no primeiro dia, ele sai, acaba o pregão, suspira e fica feliz por ter ganhado gasolina. Ele fica oito dias feliz por ter ganhado o combustível. Mas, no nono dia, ele perde o carro.” 

    O que está na carteira de investimentos de Barsi?