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    Conjuntura econômica pode atrasar concessão de aeroportos do RJ, diz especialista

    Diretor da FGV Transportes avalia que o estado do Rio de Janeiro vive uma crise econômica que afeta funcionamento dos terminais

    Elis Barretoda CNN

    No Rio de Janeiro

    Após a operadora Changi Airport International (CAI) decidir devolver a concessão do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, o governo federal anunciou a previsão de um modelo de concessão conjunta do terminal, com o aeroporto Santos Dumont, que já iria a leilão neste ano.

    Em entrevista coletiva, na noite desta quinta-feira (10), o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, avaliou que até meados de 2023 os terminais serão concedidos. O diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, conversou com a CNN sobre o novo modelo previsto pelo governo federal e em que medida as previsões políticas e econômicas podem afetar o projeto.

    “Primeiramente, eu acredito que a junção dos dois terminais em um bloco só pode não ser uma boa situação, porque a empresa vai pensar em compensar o risco. Eu acho que vai baixar muito a outorga dos aeroportos, certamente. Então, vai haver diminuição de valor, ainda mais que agora sendo leiloado separadamente, o Santos Dumont passaria a valer mais”, explica.

    A Changi, em comunicado, atrelou as dificuldades econômicas do aeroporto à recessão econômica de 2014. Deste ano até 2016, o PIB encolheu cerca de 3,5% ao ano. Eles também citaram como motivo a queda na movimentação de commodities e de passageiros, e mais recentemente, a pandemia da Covid-19, que provocou uma queda de 90% no número de voos no Brasil. Já para Quintella, o principal problema enfrentado pelo Galeão foi o cenário econômico do próprio estado do Rio.

    “Infelizmente, naquela época, as premissas e previsões para a modelagem financeira não se concretizaram, independente da pandemia, aquilo já estava fadado a uma situação insustentável, já eram absurdas sete anos atrás. A crise gerada pela pandemia, somada aos problemas de segurança pública provocaram uma queda no turismo, na indústria, e as empresas foram deixando o Rio de Janeiro. O problema é que a situação do Rio de Janeiro não mudou, continuamos com os mesmos problemas. Se o estado não tem condição de atrair investimento, empresas, turismo, não pode fazer uma previsão de 30 anos para uma concessão”, analisa o especialista.

    Além das questões presentes, as eleições para cargos no executivo e legislativo no fim deste ano, é outro fator que ainda afetará o projeto. Segundo Marcus Quintella, a disputa eleitoral irá definir a conjuntura política, o que pode impactar muito na modelagem financeira, principalmente a matriz de risco das empresas que se interessarem nos aeroportos.

    Autoridades do estado se manifestam

    Nas redes sociais, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, se pronunciou sobre o caso. “Parabéns às mentes brilhantes envolvidas! Isso mostra muito a credibilidade do nosso país junto a investidores internacionais (nesse caso se inclui o governo de Cingapura) SQN! Espero que ao menos façam do limão a limonada e sejam rápidos na solução a ser dada. Com todo respeito a quem fez a modelagem destruidora do Santos Dumont/Galeão, temos agora uma boa oportunidade de passar a definição dos parâmetros e nova modelagem de uma nova licitação para o BNDES. Respeito ao Rio vai ser importante”, escreveu o prefeito.

    A prefeitura do Rio de Janeiro já havia mostrado insatisfação com o modelo de concessão proposto pelo Ministério da infraestrutura para o aeroporto Santos Dumont, alegando que o projeto prejudicava e esvaziava as operações do Galeão.

    O Governador do Estado do Rio de Janeiro, Claudio Castro, afirmou que, com a saída da Changi, o “RJ e o Brasil têm uma enorme oportunidade para fazer a relicitação alinhada com a concessão do Santos Dumont.” O governador completa afirmando que irão trabalhar para valorizar os dois aeroportos.

    O presidente da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (ALERJ), André Ceciliano (PT-RJ), avaliou que o anúncio é “péssimo para a imagem do Brasil, para economia do Rio de Janeiro e mais um resultado da falta de coordenação que existe na infraestrutura aeroportuária da Região Sudeste, especialmente do Rio de Janeiro”.

    O deputado também se mostrou favorável a discussão de uma nova modelagem para os terminais. E defendeu ainda que o projeto “torne viável as operações do Aeroporto Internacional do Galeão, não só em passageiros, mas também na movimentação de cargas e manutenção de aeronaves”.