Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Especialistas veem como “sinal positivo” fala de Rui Costa sobre PPPs e aumento de concessões

    Futuro ministro da Casa Civil disse em entrevista à CNN que novo governo deve buscar parceria com iniciativa privada; economistas ressaltam que a prioridade tem que ser para projetos já encaminhados

    Pedro Zanattado CNN Brasil Business

    em São Paulo

    Economistas consultados pela CNN avaliaram como um “sinal positivo”, a declaração dada pelo futuro ministro da Casa Civil, Rui Costa, de que o novo governo vai buscar investimentos em parceria com a iniciativa privada e uma remodelagem desse modelo.

    Em entrevista exclusiva à CNN, Rui Costa disse que novo governo deve incentivar a realização de parcerias público-privadas (PPP’s) e elevar o número de concessões. “Buscaremos agilizar a execução dessas obras paralisadas. Assim como implementar uma dinâmica de chamamento da iniciativa privada para participar de vários projetos de investimentos do país através de concessões, de PPPs”, disse, com exclusividade, à CNN.

    Os economistas ressaltam, contudo, que o governo deve dar continuidade às concessões que já vinham sendo executadas ao longo dos últimos anos. “Esse é um sinal positivo se de fato o governo seguir com as concessões iniciadas nos últimos dois governos anteriores. Não deveria haver mudança de modelagem, mas continuidade do que está sendo feito agora”, disse Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

    Costa disse ainda que governo federal deve articular parcerias em conjuntos com estados e municípios.

    “A determinação do presidente é que a gente faça a a economia crescer, que faça respeitando os limites de gasto, a retomada de obras paralisadas, que chame o setor privado para participar, não só com o incremento de concessões públicas, mas também o governo federal participando direta ou indiretamente articulando com estados e municípios o incentivo e apoio para a realização de parceria público-privada em diversos segmentos da atividade econômica”.

    Gesner Oliveira, professor da FGV, entende que a fala é importante, principalmente, dentro de um contexto em que o governo não tem recursos suficientes para realizar investimentos.

    “O estado não tem a menor condição de fazer todos os investimentos necessários, principalmente, na infraestrutura. Para isso, é preciso de parcerias público-privadas. Acho bastante importante continuar as PPP’s que já vinham sendo feitas para manter e continuar crescimento. Você não pode paralisar ou interromper aquilo que já estava em desenvolvimento”, aponta.

    Os especialistas observam que esse tipo de parceria é importante para o país, uma vez que “o investimento é essencial para o crescimento econômico e a parceria público-privada é essencial para o investimento”, resume Oliveira.

    No entanto, Vale alerta para as dúvidas que ainda pairam no plano econômico do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), visto que os indicativos dados com a PEC do Estouro não foram positivos do ponto de vista fiscal.

    “Se o governo seguir com as concessões será positivo, pois dependerá menos do Estado. A questão é saber se vai ser esse o caminho mesmo. O que foi feito até agora do ponto de vista fiscal foi muito ruim com a PEC. Então, fica a dúvida”.

    Para Murilo Viana, especialista em finanças públicas, algo que marcou a eleição do governo petista foi a desconfiança do mercado financeiro sobre como o setor privado irá atuar na área de infraestrutura durante a nova gestão.

    Segundo os especialistas, outro ponto importante é cultivar um ambiente regulatório estável para que, de fato, os investimentos e parcerias sejam incentivados. Além disso, o governo eleito deve detalhar melhor os modelos de PPP’s que estão no horizonte.

    “Em principio, não temos os detalhes do modelo de PPP. É importante entender como será essa modelagem, se vai ter participação do governo federal e para quais áreas isso será feito. O detalhe da parceria é importante para podermos avaliar as chances de sucesso. A direção é boa, não só as PPP’s, mas a própria agenda de concessões sempre foi tradicional no Brasil”, disse Gabriel Barros, economista-chefe da Ryo Asset.

    Anúncios

    O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a divulgar os primeiros nomes que vão compor sua equipe ministerial no governo federal a partir de janeiro de 2023.

    primeiro anuncio ocorreu nesta sexta-feira, com cinco nomes: Fernando Haddad (Fazenda), José Múcio Monteiro (Defesa), Rui Costa (Casa Civil), Flávio Dino (Justiça) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).